segunda-feira, 25 de abril de 2011

Dilma e Tarso: o Rio Grande no rumo certo!

Mercadante e Tarso Genro fazem parceria pela retomada do desenvolvimento do RS


Ramiro Furquim/Sul21
A execução de um projeto de governo em redes, de forma integrada entre estado, União, iniciativa privada e sociedade, começa a ficar mais visível na gestão de Tarso Genro. O governador gaúcho recebeu a visita do ministro da Ciência e Tecnologia, Aloísio Mercadante, nesta segunda-feira, (25), para lançar o Programa RS Tecnópole. Em ato político, no final da manhã, no Palácio Piratini, Tarso anunciou a abertura do edital 01/2011, disponibilizando R$ 12 milhões como fomento aos Parques Tecnológicos do Estado. O valor é o maior volume já investido pelo governo gaúcho em parques tecnológicos. Na ocasião, o ministro e o governador pactuaram uma parceria entre estado e União para realização de novos editais e ações pelo desenvolvimento tecnológico e inovação do estado.
Segundo o governador, a instalação do programa complementa outras medidas já instaladas pela gestão estadual em busca do desenvolvimento do estado. “O desenvolvimento em rede é a partir de uma reorganização do perfil burocrático/técnico/institucional do RS. Por meio das reformas que já fizemos, como a criação da Agência de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI); reestruturação do Badesul (ex-Caixa RS), colocando o estado como vetor do desenvolvimento e disponibilizando o estoque de renúncia fiscal para induzir a base produtiva do RS; e a organização de um pacto interacadêmico para integração dos três sistemas de ensino superior (privado, federal, comunitário e Uergs)”, explicou.
O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloísio Mercadante, se disse muito satisfeito com a iniciativa do governo estadual, devido à possibilidade de integração do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada S.A. (CEITEC), indústria de química para fabricação de semicondutores que deverá ser aberta em Porto Alegre até o final do ano, no âmbito do programa anunciado por Tarso. “O Ceitec pode ser um pólo de atração de cadeias importantes de investimentos na área de eletroeletrônica e tecnologia de ponta no Rio Grande do Sul. Só faz sentido o governo montar uma indústria como esta para fazer parcerias e desenvolver outras indústrias para participar junto com ela”, disse.
RS Tecnópole
Ramiro Furquim/Sul21
Antes das falas oficiais do ministro e do governador, o secretário estadual de Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico, (SCIT), Cleber Prodanov, explicou o programa. A proposta é articular ações conjuntas com outras secretarias e aprimorar programas já existentes na SCIT, tais como: Polos de Inovação Tecnológica, Parques Tecnológicos, Rede-Petro e Municípios Digitais.
Para se habilitar ao edital, os Parques Tecnológicos já cadastrados no programa PGtec devem apresentar projeto com valor de até R$ 2 milhões, sendo no mínimo 20% como contrapartida do Parque Tecnológico. Segundo o secretário, a contrapartida deverá ser na área de inclusão digital e geração de emprego e renda. “Nosso objetivo é alterar as taxas do PIB, adensar as cadeias produtivas já existentes e investir nas regiões de menor renda relativa”, disse.
Os projetos podem ser encaminhados mediante preenchimento do formulário modelo, fornecido pela SCIT no site www.scit.rs.gov.br, e apresentação de documentos exigidos pela instrução normativa Cage n° 1 de 21 de março de 2006. O edital completo estará disponível a partir da próxima terça-feira (26), no site da Secretaria Estadual de Ciência Inovação e Desenvolvimento Tecnológico (www.scit.rs.gov.br).
por Rachel Duarte

domingo, 24 de abril de 2011

A Companheira Dilma entre as 100 pessoas mais influentes do Mundo

Dilma está entre as 100 pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista Time


 Foto: Roberto Stuckert Filho/PR



A presidenta Dilma Rousseff foi incluída na lista das 100 pessoas mais influentes do ano pela revista norte-americana Time ao lado de personalidades como artistas, políticos, pesquisadores e ativistas. O texto de apresentação sobre a presidenta Dilma foi escrito pela ex-presidenta do Chile e hoje diretora executiva da ONU Mulheres, Michelle Bachelet.
“Não é fácil ser a primeira mulher a governar o seu país. Além da honra que isso significa, ainda existem preconceitos e estereótipos para enfrentar”, destaca Bachelet em seu texto. Ela disse também que o desafio de governar aumenta a partir do momento em que Dilma Rousseff é a responsável pela condução política e econômica de um país emergente.
Segundo Michelle Bachelet, quando as sociedades começam “a ver a luz do desenvolvimento no final do túnel”, cria-se uma onda de otimismo e entusiasmo nos cidadãos. “Mas os desafios se tornam mais complexos e os cidadãos, mais exigentes. É ainda mais difícil governar um país tão grande e globalmente relevante como o Brasil”, acrescentou a ex-presidenta do Chile.
Entre as 100 personalidades da lista estão a chanceler da Alemanha, Angela Merkel; o fundador do site Wikileaks, Julian Assange; o presidente e a primeira-dama dos Estados Unidos, Barack e Michelle Obama, e até o cantor adolescente Justin Bieber.

Marcos Chagas -Agência Brasil

sexta-feira, 22 de abril de 2011

AMOR E REVOLUÇÃO


Inestimável novela péssima

A nova novela do SBT, Amor e Revolução, que vai ao ar por volta das 10 da noite, causa uma primeira impressão de quase repulsa, uma primeira impressão que nos desencoraja a esperar pela segunda. É como se ela tivesse vindo para ridicularizar os jovens que, em armas, resistiram ao golpe militar de 1964. Em matéria de melodrama, os guerrilheiros mereciam coisa melhor. A novela acaba com eles. Faz com que recitem falas que soariam primárias até mesmo na boca de ativistas imberbes de um centro acadêmico do ensino médio. Sobra para eles um papel de tolos infantilizados e armados, cujos sonhos socialistas são reedições fáceis dessas campanhas publicitárias que grandes bancos veiculam na TV às vésperas do Natal. Os combates físicos entre policiais e militantes de esquerda são ainda mais constrangedores: lembram uma coreografia canhestra de balé moderno em cidade do interior. Eis enfim a primeira impressão: esses esquerdistas do SBT seriam reprovados em qualquer assembleia de verdade, não seriam aceitos nem no jardim da infância do movimento estudantil.
É uma pena, mas a gente não desiste. A gente resiste e insiste. E não desliga a TV. Conforme os capítulos avançam, a gente nota que não é por mal que a novela fala tão mal da luta armada – e aí vem a segunda impressão que nos envolve: não, não é por querer que Amor e Revolução vai apatetando a esquerda. Aquilo que foi tragédia nos anos 60 agora volta como vexame de TV, mas, a cada nova cena, a gente mantém a esperança: esse vexame virá para o bem.
Desastre estético
Amor e Revolução é uma novela ruim pela qual vale a pena torcer. Se há algo de que o Brasil precisa é, vamos usar aqui uma palavra pernóstica, "revisitar" os bastidores e os traumas da luta armada, aí incluída a dura repressão política. A tortura precisa aparecer na TV. É bem verdade que já houve, na década passada, logo após a posse de Fernando Henrique Cardoso como presidente, não uma novela, mas uma minissérie que falou dos guerrilheiros.
Foi Anos Rebeldes, na Globo. Mas, naquela minissérie, o tema da tortura recebeu um tratamento elíptico, distanciado. Agora, Amor e Revolução traz longas sequências de tortura. O problema é que elas não são bem-feitas. Ao contrário, poderiam ser chamadas de sensacionalismo melodramático: promovem o encontro estilístico entre o mau gosto e o realismo impostado, que lembra a encenação de crimes de sangue em teatro de circo mambembe. O valor estético é nenhum, mas sempre há o mérito, vá lá, de tocar no assunto. Daí a torcida para que o vexame não seja total nem totalitário.
Quanto à tortura, a novela traz mais do que cenas de ficção. Ao fim de cada capítulo, seres humanos reais, tanto aqueles que defenderam o regime militar como os que o enfrentaram e sobreviveram, dão depoimentos detalhados, em primeira pessoa. Nisso, no uso que faz de testemunhos de gente de verdade ao fim dos capítulos, o SBT apenas copia sem a menor cerimônia a fórmula que fez escola em novelas da Globo, mas, desta vez, o que temos são relatos das vítimas da tortura, num nível de profundidade e numa extensão que nunca se viu na TV brasileira.
Apenas por esses depoimentos, Amor e Revolução já teria valido. Ela ajuda o País a desvelar o tabu, a libertar dos arquivos mortos um assunto que os brasileiros têm o direito de conhecer. Isso não significa revanchismo nem pleitear a devida punição aos torturadores e a seus chefes. Trata-se simplesmente de saber o que aconteceu nas masmorras dos anos 60 e 70 – e só por isso vale torcer para que a nova novela do SBT não sucumba inteira e prematuramente à força imperiosa de seu desastre estético. Torce-se para que o tema da novela ganhe mais repercussão, apesar da própria novela. Quanto ao mais, Amor e Revolução é inestimável por levantar um tema que ainda é tabu, mas é péssima no modo de tratá-lo.
Falta clareza
O mais terrível é que não foi por falta de recursos que ela saiu tão mal. Ao contrário, suas deficiências decorrem da combinação entre a abundância de elementos de produção – roupas, carros, cenários, luzes – e a escassez desconcertante de sensibilidade, conhecimento histórico e mesmo inteligência. Há um quê de ingenuidade tardia nessa produção, como se seus autores e diretores não soubessem que já houve, na televisão brasileira, um programa chamado Casseta & Planeta que, definitivamente, mudou o limite do que é ridículo. Às vezes, Amor e Revolução lembra o velho humorístico da Globo caçoando de novelas da própria Globo. Parece um quadro de Casseta & Planeta perdido no tempo.
O que se dá com os figurinos é um belo sintoma da ausência de esmero. Eles estão todos lá, mas, no meio da estrada de terra, não há uma mancha de poeira na farda do soldado que se engalfinha com os guerrilheiros. O colarinho do torturador nunca perde a goma. Assim, todos os trajes de todos os personagens cheiram a naftalina (além de cores, a televisão às vezes transmite cheiros). Todas as mentiras soam cômicas, e todas as verdades ganham a pompa de um embuste.
Por falta de clareza, de legitimidade e de articulação política, a esquerda armada levou a pior na vida real. Por falta de delicadeza, de pensamento crítico e de arte, a novela do SBT, apesar das intenções, vai massacrar os guerrilheiros uma segunda vez.


Por Eugênio Bucci em 19/4/2011

domingo, 17 de abril de 2011

Abaixo-assinado promovido por militares quer censurar novela no SBT

Na semana que passou, o último ditador da Argentina, Reynaldo Bignone, (1982-83), general de exército, 85 anos, foi condenado a prisão perpétua por violação dos direitos do homem. 
Infelizmente no Brasil, ainda, os torturadores, corruptos e vendilhões da pátria, que promoveram o golpe institucional de 1964, estão impunes.
Por certo, acreditam estarem protegidos pela equivocada descisão do STF, que "validou a lei da anistia", "tornando-a correta e justa". 
Por óbvio, também fortaleceram-se, com o equivoco histórico do Ministro Eros Grau, que rasgou sua história, traiu o Brasil e sucumbiu, ao que é "mais fácil". 
Muito interessante, é o descortinar dos anos de chumbo, que esta sendo feita pela SBT, com o seriado\novela "Amor e revolução".
Ofendidos, uma camarilha de dinossauros remanescentes da época, tentam rasgar a constituição vigente (como fizeram em 64), calar a imprensa e amordaçar (novamente) a cultura!
Saudosistas e ufanistas de um tempo que passou, mas que nós não devemos esquecer, (principalmente dos crimes e de responsabilizar os criminosos) para que nunca mais aconteça!

O

abril 13th, 2011 | Autor: Sandra de Andrade

Amor e Revolução lembra a década de 60 no Brasil

A novela Amor e Revolução nem bem estreou e já começa a incomodar certos setores da sociedade brasileira, na história, que tem como pano de fundo a época da ditadura militar no país. A produção é alvo de um abaixo-assinado promovido justamente por militares, que exigem a derrubada da atração. A justificativa é um suposto acordo entre o Governo Federal e o apresentador Silvio Santos. De acordo com o documento, “se trata de um acordo firmado com o empresário Silvio Santos, visando o saneamento do ‘Banco Panamericano’ do próprio empresário”.

Ditadura militar

“O efetivo da Forças Armadas, tanto da ativa como inativos e pensionistas, vem respeitosamente através desse abaixo assinado, como um instrumento democrático, solicitar do digno Ministério Público Federal (…) providências em defesa da normalidade constitucional”, diz o documento.

O texto, criado no dia 1º de abril – data de instauração da ditadura militar no país –, é de iniciativa de José Luiz Dalla Vecchia, membro da diretoria da Associação Beneficente dos Militares Inativos da Aeronáutica (ABMIGAer), e já conta com quase 300 assinaturas. Ao lançar a novela, na semana passada, o autor Tiago Santiago comemorava o tom “revolucionário” do tema.

– Vamos mostrar o lado terrível da ditadura e o lado lindo e romântico dos anos 60 – disse a jornalistas.

Segundo ele, “o projeto de repassar a história do Brasil daqueles anos é muito ambicioso e rico em acontecimentos importantes de 1964 a 1972″. Entram no contexto do folhetim prisões, perseguições, torturas, revolução na moda e comportamento, movimento hippie e pacifista e festivais em plena ditadura militar.

Fonte: Correio do Brasil

FHC tira a máscara

O ex-presidente define-se: chega de social-democracia, tudo a favor dos valores da casse média. Por Maurício Dias. Foto: Edson Silva/Folhapress
“Ele é um presidente definido por lei que está fazendo o que o país dominante quer que ele faça”
Avaliação do governo de FHC feita por Raymundo Faoro, em 15/5/2002
Finalmente, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, suposto arauto da social-democracia brasileira, entrou no trilho adequado. Foi preciso mais de oitos anos, além de três fracassos eleitorais sucessivos na disputa presidencial, para que ele jogasse fora a máscara da social-democracia e assumisse o papel de expressão política da classe média. O sociólogo faz isso agora, na condição de presidente de honra dos tucanos.
“Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT a influência sobre os “movimentos sociais” ou o “povão”, falarão sozinhos”, sentencia FHC em artigo escrito para a nova edição da revista Interesse Nacional, que começou a circular na quinta-feira 14.
Nada de mal. É bom para o País que o rio corra no seu leito natural. Nada de mais. A minoria precisa de alguém que defenda seus valores. O ex-presidente finca a bandeira nesse espaço ou, pelo menos, tenta. Pela primeira vez se apresenta como porta-voz dessa camada social e se apressa a dar receita eleitoral para os candidatos da oposição.
“Se houver ousadia, as oposições podem organizar-se, dando vida não a diretórios burocráticos, mas a debates sobre temas de interesse dessas camadas.”
Quem compõe essas camadas da sociedade brasileira? A nomenclatura sociológica se embaralha nesse ponto. A classe média é difusa mesmo a partir da base da pirâmide social. Os milhões tirados da marginalidade ao longo do governo Lula – em torno de 20 milhões – foram batizados de integrantes da classe média “E”, embora uma classe social não se consolide somente a partir do salário.
O ex-presidente faz uma leitura muito particular da eleição de 2010. Ele acredita que o resultado traduz essa visão polarizada: Dilma 56,5% dos votos contra 43,95% de Serra.
O sociólogo, já de olho na competição presidencial de 2014, vê as coisas com a lente descalibrada do político oposicionista. Sem ameaça de ser vitimada pelo preconceito da classe média bem aquinhoada, como acontece com Lula, a presidenta Dilma tem chances de transitar melhor nessa faixa do eleitorado. Exatamente o contingente preferencial do governo de FHC.
Ainda em 2002, poucos meses antes da eleição de Lula, diante da pergunta se achava que o governo tucano fora feito para somente 30 milhões, o jurista e historiador Raymundo Faoro lançou uma dúvida: “Tanto assim?”. E argumentou: “O país que lê jornal… quantos são? E o país que lê livros? Não há sequer mercado para sustentar a cultura”.
FHC tornou-se um ícone do país privilegiado: “É isso que sobrou”, disse Faoro.
Foi o que restou também do PSDB, que nunca teve vínculos com os sindicatos brasileiros e com os movimentos sociais. Vínculos que, em essência, definem historicamente a natureza dos partidos social-democratas. Uma aliança que os tucanos nunca buscaram.

Mauricio Dias

Maurício Dias é jornalista, editor especial e colunista da edição impressa de CartaCapital. A versão completa de sua coluna é publicada semanalmente na revista. mauriciodias@cartacapital.com.br

O Camarada Tarso Genro agradece a São Borja pela expressiva votação que recebeu

domingo, 10 de abril de 2011

Tempo para pensar


No dia 12 de janeiro de 2011, saímos de Porto Alegre, ás 20 hs e direção a Tramandai-RS onde mora meu cunhado Marcos Couto.
Estávamos no carro Mondeo, junta estava a Sandra, Renan, Andrey e a Maria Eduarda. Deslocávamo-nos sem problemas, até que chegamos no Posto da PRE de Tramandai. Na frente do Posto fomos parados pelos PMs eu exigiram os documentos do veículo e a minha habilitação. O devido a correria do dia-a-dia, deixei de pagar o IPVA e portanto naquela situação  estava vencido. O PM disse que o carro seria guinchado. Estava errado e sem justificativa. O PM perguntou-me de forma padrão se eu tinha alguma arma no carro. Os filhos, e a Sandra sabiam que eu tinha. Eu passei a vida toda ensinando que aos filhos que a verdade por mais dura e difícil deve ser dita sempre. Não poderia mesmo nesta situação negar a tudo que sempre ensinei.  Disse ao PM que tinha arma embaixo do meu banco, no carro. O PM a pegou perguntou se tinha documentos dela. Disse que não tinha porte, mas que ela era cadastrada na PF. Consegui um táxi coloquei a Sandra e as crianças que foram para a casa de meu cunhado. O PM disse que teria de me apresentar na delegacia devido eu não ter porte da arma. A Arma era uma pistola adquirida em lote militar, de forma legal em nota coletiva, a qual eu utilizava há anos. Que logo após, durante ao prazo dado para legalizar armas, eu comecei a fazer a documentação Policia Federal em São Borja, para preencher os requisitos da lei, e por um lapso este procedimento não foi completado.
  
FATOS PELO QUAL ESTAVA COM A ARMA NO CARRO:

O Carro estava com problemas, eu por questões financeiras não podia dar a devida manutenção. A família estava de férias na escola e eu os levava para o litoral, para casa de familiar em Tramandai. Marcos meu cunhado colocou a casa dele a disposição. Como iria viajar com um carro que poderia ter problemas,  em algum lugar ermo e por estar com a família, resolvi levar minha arma.
Outro fato,  que justifica andar armado,  é que era ex-vice prefeito que denunciou o prefeito Mariovane a justiça por crimes por ele cometido, tendo testemunhado contra ele e sua turma. Não posso esquecer o que aconteceu com o Silvio Bastos.
Um terceiro motivo que me faz andar armado, é que durante o período da eleição de 2008 minha terra foi alvo de uma quadrilha que estava ligada e apoiou a eleição do atual prefeito. Fiz enfrentamento forte e duro contra esta quadrilha, que tinha muita gente envolvida e que lucraram muito, sendo que eu sou, até hoje uma “pedra” nos seus caminhos de crimes.

E mais:


DEGRAVAÇÃO DE NOTA DE ESCLARECIMENTO OCORRIDO DIA 26 DE MARÇO 2009 NO PROGRAMA GENTE É NOTÍCIA DA RÁDIO CULTURA AM.

APRESENTADOR EDSON ARCE: Nota de esclarecimento! Diante de nossa imensa indignação pela injustiça, calunia e difamação praticada pelas pessoas que logo adiante nominaremos, constatamos que de forma arbitrária, autoritária, tendenciosa, sem se revestir de nenhuma forma legal, como fomos impedidos de realizar um trabalho que nos foi solicitado pela empresa Guaporé Carnes S.A. Nos primeiros meses de 2008 fomos contratados pela empresa para proceder os registros de legalização do frigorífico nos órgãos públicos do Estado e da União, em Porto Alegre e São Borja. Prestamos serviços com profissionalismo, idoneidade, seriedade e ética com o nosso escritório de contabilidade presta a quem nos procurar. Encaminhamos o contrato social da filial de São Borja para Junta Comercial do Estado e posteriormente o registro na Receita Federal, tirando o CNPJ, conforme a rotina do trabalho. No entanto não podemos tirar a Inscrição Estadual porque nesse meio tempo surgiram todas aquelas denuncias contra a empresa que certamente inibiram os seus proprietários de continuar o investimento em São Borja. Tanto é que posteriormente se afastaram de nossa cidade e a nós foram confiadas as chaves da sala onde fizeram os primeiros contatos com os trabalhadores, recebendo por volta de 200 currículos das pessoas que iriam trabalhar, primeiramente na construção dos prédios do frigorífico. Por esse motivo então é que estamos de posse da chave da sala para que a mantivéssemos limpa e para pagar os aluguéis, condomínio, luz, internet e demais despesas decorrentes, sendo que para isso nos enviam o numerário necessário cujos comprovantes mantemos em nosso poder para a devida prestação de contas. Acreditamos que por motivos de economia não nos foram informados outros. Outros pediram-nos que entregássemos a sala e vendêssemos os moveis que estão lá e que são de propriedades deles, conforme as notas fiscais de compra e que temos cópias em nosso poder. Repetimos!  Acreditamos que por motivos de economia não nos foram informados outros. Pediram-nos que entregássemos a sala e vendêssemos os moveis que estão lá e que são de propriedades deles conforme as notas fiscais de compra e que temos cópias em nosso poder. Qual foi a nossa surpresa que no dia 21 de março de 2009, por vol... por volta das oito horas e trinta minutos da manhã na sala 203 da Galeria Presidente Vargas, surge em nossa presença o senhor Renê Ribeiro e os vereadores João Carlos Reolon e Sandra Ribeiro portando um aparelho celular, tirando fotos e gravando a nossa conversa dizendo que não poderíamos realizar a mudança porque havia uma ação de estelionato, sem, no entanto, esclarecer contra quem e queriam entrar na sala, sem no entanto, apresentar nenhum mandado ou documento judicial que os autorizasse o embargo. Logicamente não permitimos a entrada, embora a insistência deles, e falei que não ia permitir, pois, os proprietários não estavam presentes. Diz nós não podíamos deixa-los entrar sem a autorização deles. De imediato mandei colocar novamente a geladeira e uma mesa que já estavam no corredor para serem transportados e fechei a porta e fomos embora para o nosso escritório onde estávamos trabalhando. Posteriormente soube que eles haviam chamado a Brigada Militar para conduzir um eletricista que havíamos contratado para retirar o ar-condicionado da sala o qual se recusou a embarcar na viatura policial, conforme nos relatou, pois, estava de posse da sua motocicleta e decidiu que não iria na viatura e sim na moto, sendo seguido a poucos metros por outro policial, também de moto, e sendo levado para dar depoimento na Delegacia de Polícia. Agora causa-nos estranheza que a ocorrência só foi assinada pelo senhor Renê, sendo que seus acompanhantes não constam no documento, boletim de ocorrência. Esta é a verdade dos fatos. Agora a nossa dignidade foi abalada e de toda a nossa família foi atingida, pois até o nome da minha esposa consta no documento, injustamente, rotulando-os de quadrilha e de ardilosos. O documento é tão absurdo que o Senhor Delegado de Polícia mandou arquiva-lo. Estamos tomando as medidas legais cabíveis para resguardar a nossa dignidade e a nossa honra. São Borja nos conhece, aqui vivemos a mais de quarenta anos, aqui trabalhamos, criamos e educando nossos filhos, sempre com fé em Deus e acreditamos nas leis de nosso país e que a justiça seja feita. Assinam esta nota Aristarco Messa Fagundes, Gerson Ribeiro Fagundes e as firmas estão devidamente reconhecidas na forma da lei.

         2002
           Nota Pública da Bancada do PT de São Borja.

           O Vereador Renê Ribeiro, denunciou em 1997, autoridades e pessoas que segundo ele cometiam irregularidades contra o povo de São Borja.
          De denunciante, o vereador Renê virou denunciado.
          O promotor Kneipp, o denunciou por ter “caluniado e injuriado e difamado” o então delegado Bósio. 
          A partir desta denúncia, o Vereador Renê Foi condenado há 1 ano e quatro meses, pena convertida em prestação de serviço à comunidade e multa.
          Devido a está condenação, houve duas tentativas de afastar o Vereador Renê, da Câmara fazendo com que ele deixasse de ser Vereador.
           O Vereador petista,  através da justiça venceu as duas batalhas jurídicas,   retornando à Câmara e ao mandato.
          Paralelo a estes fatos, Renê recorria da condenação que julgava injusta.
          No inicio deste ano, o Advogado criminalista Alberto Toron, entrou com Hábeas Corpus no Supremo Tribunal Federal, a mais alta corte da justiça constitucional do país.
          No dia 26 de fevereiro deste ano o Ministro Nelson Jobim, suspendeu condenação do Vereador Renê, acatando a solicitação de liminar constante no Hábeas.
          Para justificar o ato,  mesmo que provisório em favor de Renê, o Ministro Jobim afirmou:
“Observo que o móvel de toda a pendenga foi à atitude do PACIENTE que, no exercício da Presidência da Câmara de Vereadores, determinou a retomada da linha telefônica, irregularmente instalada na casa do DELEGADO.
A nota tida por ofensiva à honra do DELEGADO é mera conseqüência.
O PACIENTE agiu em defesa da moralidade administrativa, no cumprimento do mandato parlamentar que recebera nas urnas.
E, mais especificamente, no exercício da Presidência da Câmara, em proteção do Patrimônio Público e da própria dignidade do Parlamento.”“.

Embora esta vitória mesmo parcial do parlamentar petista,  tenha sido pouco noticiada, ao contrário das tentativas de derrota que sofreu, é fundamental que a comunidade de São Borja tenha conhecimento.
 Na justificativa do Ministro Jobim, está claro o quanto o Vereador Renê foi perseguido e injustiçado, por defender o povo de São Borja na função de vereador do PT,  eleito pelo voto democrático.
                         
                         Bancada do Partido dos Trabalhadores – São Borja.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Quando a dura realidade atropela a utopia

Muitos de nós abdicaram  tudo, em prol de tentar transformar o mundo!
          Para isso, buscamos formas e instrumentos para realizar as transformações.
          No Brasil, na década de 60 e 70 muitos optaram pela resistência armada contra o regime golpista, para construir a democracia. 
         Outros optaram pela linha do enfrentamento político conforme as regras impostas pelos golpistas.
        Graças a estas formas, a democracia foi restituída.
        A minha geração, por lógica, optou pela luta democrática do voto. 
       Nosso instrumento para chegar ao poder era a mobilização popular, diálogo com a sociedade em geral e movimentos organizados, a construção de projetos de governos, que levados à disputa eleitoral, seriam colocado em prática, nos governos institucionais os quais fossemos vencedores, através do voto convencido e conquistado.
        Triste é ver, depois de tudo, parte das nossas utopias serem atropeladas pela realidade!
        Então, para que serve as utopias? Será que é para serem destruídas pela realidade?
        O escritor Uruguaio Eduardo Galeano diz que:
                     "A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar."
Com certeza iremos continuar caminhando, com calos nos pés, lagrimas no rosto e tristeza no coração, 
mas caminhando... 

sábado, 1 de janeiro de 2011

O petista Tarso Genro assume o Governo gaúcho, para colocar o RS no ritmo do Brasil

Tarso Genro é empossado e traz de volta o PT ao Piratini


Rachel Duarte

“Prometo manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis e patrocinar o bem comum do povo rio-grandense”. A frase do compromisso constitucional foi a primeira proferida oficialmente por Tarso Genro neste sábado, 1º de janeiro de 2011, como novo governador do Rio Grande do Sul. O governador eleito em primeiro turno foi empossado na Assembleia Legislativa gaúcha por volta das 8h40min, 10 minutos depois do previsto para o início da sessão.
Bruno Alencastro/Sul21
Foto: Bruno Alencastro/Sul21
A chegada à casa do povo ocorreu pontualmente às 8h15; o presidente da Assembleia Giovani Cherini já o aguardava. Com o tradicional assédio de fotógrafos e uma legião de seguranças e assessores, Tarso se dirigiu ao gabinete da presidência. Lá aguardou até a hora de entrar no Plenário 20 de Setembro para a sessão de posse.
O plenário não estava com lotação máxima, mas  um bom público escolheu começar o ano assistindo a posse do novo governador gaúcho. Familiares e autoridades sentaram na ala esquerda. Nas galerias ficaram os militantes e algumas entidades ligadas a movimentos sociais, que se encarregaram dos calorosos aplausos na entrada de Tarso Genro na sessão. As bancadas foram ocupadas pelos integrantes do novo governo e alguns deputados.
O deputado Pedro Westphalen (PP), primeiro-secretário da Mesa Diretora, procedeu à leitura do Termo de Posse. O mesmo procedimento aconteceu com o vice-governador Beto Grill.
O presidente da casa, Giovani Cherini, foi o primeiro a discursar e disse que Tarso assume o governo num momento ímpar, com os governos estadual e federal intrinsecamente ligados, “possibilitando a concretização de um novo tempo”. Cherini ressaltou também que as propostas do novo governador foram bem recebidas pelos deputados e aprovadas, sem dispensar elogios ao novo comandante do estado. “Duvido que, neste Estado, alguém conteste a sua competência ou não respeite a sua determinação e coragem. Acredito que a coragem, a cooperação e o senso político contribuíram para que vossa excelência chegasse até aqui”, disse ao novo chefe do Executivo estadual.
Bruno Alencastro/Sul21
Foto: Bruno Alencastro/Sul21
Em seu discurso, Tarso falou de improviso sobre o respeito que terá com os partidos políticos que compõem o parlamento e disse que acredita na importância do diálogo entre as siglas. “Quero aqui manifestar meu integral respeito aos partidos políticos que compõem essa Casa. Creio que teremos assuntos de interesse comum para dialogar e encontrar as melhores saídas”, afirmou.
Tarso também salientou o discurso feito pelo presidente do Parlamento, deputado Giovani Cherini (PDT), sobre cooperação, e anunciou que recordou uma promessa feita ainda durante a campanha: o pacto federativo. “Vamos fazer um pacto com os poderes, a exemplo do que foi realizado no governo federal. Tenho convicção de que o Estado do Rio Grande do Sul está maduro para dar um salto afirmativo na sua cultura política. Podemos aqui  no Rio Grande do Sul, sem perder as nossas identidades programáticas e a nossa personalidade política, criar um exemplo para o País”, ressaltou.
A sessão solene foi encerrada com a interpretação do Hino Rio-Grandense pelo tenor Eduardo Bighelini, acompanhado pelo tecladista Rodrigo Cattani. Às 9h30min, o governador e o vice-governador Beto Grill (PSB) seguiram para o Palácio Piratini, para a cerimônia de transmissão de cargo.
De oposição para situação
Bruno Alencastro/Sul21
Foto: Bruno Alencastro/Sul21
11 anos depois, a soberania do povo gaúcho decide entregar o comando do estado a um novo integrante do Partido dos Trabalhadores. O dia 1º de janeiro de 2011 ficou marcado pela troca de dois modelos antagônicos de governo. A atual governadora Yeda Crusius (PSDB) entregou o cargo para Tarso Genro. O ato, registrado em ata às 10 horas, foi testemunhado por autoridades dos dois governos.
O Salão Negrinho do Pastoreio estava lotado por autoridades e imprensa. Sentados em uma mesa na qual estava ainda o presidente da Assembleia, Giovani Cherini (PDT), e o vice-governador Beto Grill, Tarso e Yeda assinaram, o termo de transferência de cargo. Neste momento foi anunciada execução do Toque da Vitória pela banda da Brigada Militar.
Em seguida, foi executado o Hino Nacional, que rendeu expressões curiosas das autoridades. Tarso permaneceu calado como sempre o faz durante os hinos. Já Yeda cantava com entusiasmo e dividia a alegria de cantar e enaltacer o país olhando para o presidente do legislativo gaúcho Giovani Cherini, o qual escondia o constrangimento com um sorriso amarelo.
Em seu discurso, Yeda destacou a história do Palácio do Piratini e a reforma realizada no prédio, em 2009. A ex-governadora fez questão de defender seus quatro anos frente ao governo do Estado, dizendo tratar-se de um governo de gestão transparente e dentro da legalidade. Entre outros feitos, Yeda fez questão de salientar o Programa de Prevenção à Violência (PPV) e a construção da penitenciária feminina em Guaíba, referindo-se a Tarso sempre como o “nosso governador” ou “agora governador”.
Bruno Alencastro/Sul21
Foto: Bruno Alencastro/Sul21
Tarso, por sua vez, começou agradecendo a abertura de diálogo proposta pela governadora e desejou-lhe felicidade e paz. O governador também voltou a saudar os antigos chefes do Executivo Alceu Collares e Olívio Dutra, chamando o companheiro de partido de “mestre político”.
“A minha saudação aos partidos da Unidade Popular pelo Rio Grande e aos meus queridos companheiros do Partido dos Trabalhadores, partido que eu integro há muitos anos e com o qual tenho um compromisso de vida histórico”, disse Tarso no início do seu discurso no Palácio Piratini.
Tarso reconheceu o esforço coletivo que resultou na sua vitória inédita em primeiro turno e reforçou seu compromisso com o projeto de todos os partidos que o elegeram. “A vitória eleitoral que nos trouxe aqui é de um projeto político representado pelo PT e os partidos que compõem a nossa frente política. Uma campanha sem qualquer agressão pessoal e com muita luta nos conduziu a vitória no primeiro turno. Não sou um vencedor solitário. Faço parte de uma rede que tem compromisso com o RS”, disse.
O governador citou os exemplos do escritor Erico Verissimo e do sociólogo Raymundo Faoro, ambos gaúchos, pela forma com que o primeiro apresentou o Rio Grande  seu significado em sua literatura e a forma pela qual Faoro, por outro lado, criticou o patrimonialismo do Estado e das elites brasileiras.
Bruno Alencastro/Sul21
Foto: Bruno Alencastro/Sul21
O petista citou ainda o exemplo do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela na luta pela liberdade e disse que só a exposição pública de conflitos “pode promover uma sociedade justa”, momento em que foi aplaudido com entusiamo.
Tarso estimulou a imprensa a indicar eventuais improbidades administrativas em seu governo e finalizou: “Muito obrigada ao povo gaúcho. Viva o Rio Grande, viva o Brasil”, sendo aplaudido de pé.
Yeda e Tarso desceram juntos parte das escadarias do palácio, onde se abraçaram. Yeda deixou o Piratini e Tarso retornou ao salão Negrinho do Pastoreio, onde os secretários do novo governo tomaram posse. Por último, Tarso foi até uma das sacadas do palácio, onde discursou para o público que acompanhava a cerimônia na Praça da Matriz.

Por Sul21

Lula e Dilma: O Brasil continuará mudando

Dilma recebe faixa presidencial e diz que Brasil precisa “perseguir seus sonhos”


Dilma recebeu a faixa presidencial de Lula/ Foto Agência Brasil
Igor Natusch
Depois de cumprir o ritual de posse no Congresso Nacional, a nova presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, dirigiu-se ao Palácio do Planalto, para receber a faixa presidencial e dar posse aos ministros que farão parte de seu governo. Em um discurso de cerca de 20 minutos, dirigiu-se ao povo brasileiro, repetindo a ideia que animou sua fala anterior, no plenário da Câmara: a de que todos devem se unir para que o crescimento do Brasil tenha continuidade.
Na chegada ao Congresso, Dilma foi forçada, pela chuva, a passar pela chapelaria, no andar de baixo, ao invés de ir pela rampa. Na saída, porém, o temporal tinha passado, e a nova presidenta fez questão de encontrar o grande público que a aguardava na Praça dos Três Poderes. Acompanhada de senadores e deputados, Dilma ouviu, no alto da rampa do Congresso, o Hino Nacional, em meio a salvas de canhão. A seguir, desceu a rampa, passando as tropas em revista e saudando a população. Em determinado momento, fez uma pausa e foi até a bandeira brasileira, empunhada por um dos militares presentes. Segurou a ponta da bandeira e deu um beijo no símbolo nacional.

Dilma desfila com a filha Paula ao lado /Foto Agência Brasil
Com a melhora do tempo, Dilma também pôde desfilar em carro aberto no caminho até o Palácio do Planalto. Populares se espremiam junto às grades divisórias, ostentando bandeiras e gritando o nome da nova presidenta. Em outros momentos, era possível ouvir pessoas cantando também o nome do ex-presidente Lula. Ao lado de Dilma, a sua filha Paula. Ao contrário da mãe, que manteve o tempo todo vestido e casaco brancos, Paula trocou o vestido vermelho, que usou no trajeto da Granja do Torto até o Congresso, por um conjunto azul, com detalhes em preto. Em outro veículo, o vice Michel Temer seguia o carro de Dilma, acompanhado da esposa, Marcela.
Vestindo a faixa de presidente, Lula aguardava no alto da rampa do Planalto, acenando para populares e aplaudindo a comitiva que trazia Dilma Rousseff para a transmissão do cargo. Dilma subiu a rampa ao lado de Michel Temer, enquanto Lula aguardava ao lado de sua esposa, Marisa. No primeiro encontro de Dilma e Lula, um afetuoso abraço, seguido de um cumprimento ao público, quando todos, de braços erguidos e mãos dadas, posaram para fotos.

Dilma recebe a faixa de Lula / Foto Agência Brasil
A entrega da faixa foi breve, com muitos sorrisos. Logo após receber a faixa, Dilma ouviu o Hino Nacional. Na hora do discurso, Lula saiu discretamente, deixando as atenções concentradas na nova presidenta.
“Minhas mãos estarão abertas para todos”
“Estou feliz como raras vezes estive na minha vida, pela oportunidade que a história me deu de ser a primeira mulher presidenta do Brasil”. Com essas palavras, Dilma começou seu discurso. A seguir, lembrou as conquistas do governo Lula. “Foi um privilégio ter tido a chance de conviver com o presidente Lula, um governante justo e um líder apaixonado pelo país e por sua gente. Minha emoção pela posse se mistura com a despedida deste grande nome, que está gravado no coração do povo, o lugar mais sagrado desta nação. Saberei honrar esse legado e darei continuidade a essa obra de transformação do Brasil”.
Ela aproveitou também para prestar novas homenagens ao vice de Lula, José Alencar, que luta contra um câncer e não pôde comparecer à transmissão de cargo. “Quero prestar minha homenagem a outro grande brasileiro, que esteve ao nosso lado nesses oito anos: nosso querido vice-presidente José Alencar. Que exemplo de coragem e amor à vida nos dá esse grande homem”.

Dilma discursa no Parlatório ao lado de Michel Temer e sua mulher, Marcela / Foto Agência Brasil
Repetindo o que dissera pouco antes na Câmara Federal, Dilma pediu uma grande mobilização em nome do futuro do país. “Quando se governa pensando no interesse público e nos mais necessitados, uma imensa força brota do nosso país, e todos nós avançamos juntos. Cuidarei com muito carinho dos mais frágeis e necessitados. Governarei para todos os brasileiros e brasileiras”. Também reservou palavras conciliadoras para seus opositores no período eleitoral. “Minhas mãos estarão abertas e estendidas para todos, desde nossos aliados de primeira hora até os que não estiveram conosco no período eleitoral. Trabalharei para que todos estejamos unidos”, garantiu.
“Não peço a ninguém que abdique de suas posições”, continuou. “Buscarei apoio e respeitarei a crítica. É o respeito às ideias que move as grandes democracias, como a nossa. Não carrego nenhum tipo de rancor. A hora, agora, é de união”.
“Meu sonho é o mesmo de qualquer cidadão”
Dilma Rousseff voltou a prestar sua homenagem aos companheiros de luta contra a ditadura militar. “Minha geração deu sua juventude, em um período de escuridão imensa, lutando em nome do nosso país. A meus companheiros, que tombaram nessa jornada, presto minha homenagem e a minha comovida lembrança”. A frase gerou uma grande salva de aplausos entre os populares que assistiam ao discurso.
Reforçando a novidade de ser a primeira mulher a governar o Brasil, a nova presidente pediu a todos os brasileiros que não parem de sonhar com um país ainda melhor. Emocionada, Dilma fez uma pausa para tomar água, e enxugou discretamente as lágrimas. “O meu sonho é o mesmo sonho de qualquer cidadão ou cidadã. De que um pai ou uma mãe possa oferecer a seus filhos oportunidades melhores do que tiveram. Esse sonho é o que constrói uma família e que ergue um país. Para governar um país continental, é preciso ter grandes sonhos, e persegui-los”.
“Vou estar ao lado dos que trabalham pelo bem do Brasil. Se todos trabalharmos pelo Brasil, o Brasil nos devolverá nosso esforço em dobro. Tudo que for plantado com mãos carinhosas será colhido com amor e alegria”, declarou. E concluiu pedindo ao povo brasileiro o esforço para construção conjunta de um mundo de paz. “Darei todo meu empenho e dedicação para que as transformações continuem e se expandam. Nosso país tem, hoje, condições de se transformar no melhor país para se viver”.
Entre os convidados internacionais, Hillary Clinton e Hugo Chávez
Após o discurso, Dilma dirigiu-se ao Salão Leste do Palácio do Planalto, onde recebeu os cumprimentos dos líderes internacionais presentes à cerimônia. Entre outros, estavam presentes o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates; o presidente do Uruguai, José Mujica; Mahmoud Abbas, da autoridade palestina; o primeiro-ministro da Bulgária (país onde nasceu o pai de Dilma), Boyco Borissov; a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton; e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. A norte-americana e o venezuelano, opostos na política internacional, cumprimentaram Dilma em sequência.
Após os cumprimentos, Dilma foi despedir-se de Lula. De braços dados com Lula, a presidenta desceu a rampa do Planalto, em um gesto de deferência ao seu antecessor. Emocionado, Lula acenou para o público, com Dilma à esquerda e sua esposa, Marisa, ao seu lado direito. Ao contrário do previsto por parte da imprensa, não foi tocado o tema de vitória, tornado clássico pelas corridas de Fórmula-1, ou o antigo jingle da campanha de Lula, “Lula lá”.
Enquanto Lula rumava para São Paulo, Dilma retornou ao interior do Palácio do Planalto para dar posse ao ministério. Na medida em que seus nomes iam sendo anunciados, os integrantes do novo governo dirigiam-se até o púlpito, assinando o ato de posse e recebendo os cumprimentos da presidenta. Um dos primeiros foi Antonio Palocci, empossado chefe da Casa Civil – cargo ocupado com destaque pela própria Dilma durante o governo Lula.
Ao final da cerimônia, Dilma Rousseff se dirigiu ao Itamaraty, onde recepcionará 3 mil convidados com um coquetel. O trajeto entre o Planalto e o Itamaraty também foi feito em carro aberto, já que a chuva ofereceu trégua. Ao lado da presidenta estava sua filha, Paula Araújo. No caminho, o público aplaudia e gritava o nome da nova presidenta brasileira.
 Click abaixo e ouça o discurso de posse da companheira Dilma:
http://www.youtube.com/watch?v=tI-wWigoKRw&feature=player_embedded 



Por Sul21