quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Câmara Temática da Segurança Pública: Gov. Tarso recebe relatório 2013 e Notas de Recomendação

                Na data de ontem (17.12.2013), após receber os relatórios e recomendações, o governador Tarso Genro disse que examinará rigorosamente as recomendações para tomar providências e dar retorno aos conselheiros e conselheiras, como tem ocorrido na dinâmica do Conselho. "O CDES tem grande originalidade e funcionalidade e isso se deve ao aporte intelectual e moral dos conselheiros e conselheiras", registrou ao receber os documentos. 
               "Esse Conselho tem o gosto de recuperar o sentimento das pessoas pela coisa pública, pela vida política, pela polis, pela cidade. Isso é extremante importante", concluiu o Governador, lembrando do trabalho voluntário dos conselheiros.



 
 Equipe Executiva do Conselhão do Governador


RELATÓRIO DOS TRABALHOS 2013 DA CÂMARA TEMÁTICA SEGURANÇA PÚBLICA
E NOTAS DE RECOMENDAÇÕES DA "RETIRADA DA BM DOS ESTÁDIOS" E
 "POLÍTICA DE ESTADO DA "PROTEÇÃ À VIDA" 

                     Porto Alegre, 17 de dezembro de 2012.

A Câmara Temática Segurança Pública foi instalada em 3 de maio de 2013 e realizou sete reuniões periódicas de trabalho com a presença de conselheiros titulares e técnicos, autoridades, entidades da sociedade civil organizada, órgãos de segurança pública, empresas de segurança privada, academia entre outros.

Esta Câmara foi criada a partir de sugestão do governador Tarso Genro para que o CDES-RS aprofundasse os debates sobre as diferentes questões que envolvem o tema, acompanhasse as políticas de Estado desenvolvidas no setor e promovesse a concertação em pontos divergentes.
1.        Apresentação

Aspectos ligados à segurança pública foram recorrentes nos debates do CDES-RS desde a sua instalação em março de 2011. Na primeira gestão do Conselho (2011-2012) assuntos relativos ao tema foram abordados pela Câmara Temática Proteção Social (atualmente denominada Direitos Sociais). Em diferentes momentos conselheiros e conselheiras manifestaram a necessidade de ter um colegiado específico para abordar o tema com maior profundidade pela sua importância, pluralidade e complexidade.

Esta vontade estava harmonizada com as preocupações do governador, que na reunião final do Pleno do CDES na primeira gestão solicitou aos conselheiros e conselheiras especial atenção ao assunto, motivando a criação da Câmara Temática Segurança Pública, instalada oficialmente em maio de 2013.

A partir de então, ocorreu um conjunto de reuniões abordando aspectos como o sistema prisional, a redução da criminalidade - especialmente dos homicídios, a política de segurança e a atuação da Brigada Militar frente às manifestações públicas, a desmilitarização da polícia, a presença da Brigada nos estádios de futebol, as políticas de enfrentamento à violência contra a mulher, a formação dos quadros de segurança, o aumento do efetivo e o aparelho técnico, entre outros.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também foi convidado pelo CDES-RS e participou de um Diálogo do Conselhão, tratando de aspectos como o enfrentamento à corrupção em companhia do Ministro de Controladoria Geral da União, Jorge Hage.
Em sete reuniões de trabalho, com amplo debate social, foram produzidas duas notas de recomendação ao governador Tarso Genro sugerindo a retirada gradual da Brigada Militar dos estádios e a prioridade das ações dos órgãos de segurança voltadas à vida.
Neste relatório estão detalhadas as pautas de cada reunião, contribuições e propostas construídas nesta instância de diálogo social do governo com a sociedade.

2.    Reuniões da Câmara Temática


2.1. Reunião preparatória e eixos de debate - 23 de abril

No dia 23 de abril ocorreu uma reunião prévia para planejar o trabalho da Câmara Temática. Na ocasião, conselheiros e conselheiras discutiram em linhas gerais os temas a serem objetos de pauta:
·         Acompanhamento das políticas publicas desenvolvidas;
·         Projetos estratégicos monitorados pela Sala de Gestão;
·         Sugestões elencadas pela Câmara Temática  de Proteção Social sobre segurança;
·         Expectativas populares sobre a temática;
·         Reformular site da SSP e criar hotsite da CT de Segurança no site do CDES;
·         Construir estratégias de divulgação e debates nas redes sociais;
·         Realizar Diálogos CDES Regionais Temáticos sobre a área;
·         Identificar principais regiões beneficiadas com as políticas de segurança do governo e promover nessas cidades polo Diálogos descentralizados da CT de Segurança com três objetivos principais:
  • Identificar principais regiões beneficiadas com as políticas de segurança do governo e promover nessas cidades polo Diálogos descentralizados da CT de Segurança com três objetivos principais:
a)  balanço das ações do governo na área (reforço a importância do apelo visual);
b)  lançamento de projetos, assinaturas de contratos e termos de cooperação, entrega de viaturas e equipamentos, anúncio de novos policiais e demais servidores;
c)  colher sugestões e críticas da população (com agendamento de devolutiva);

Proposta de agenda positiva:
Área policial (políticas de segurança pública):
1. Aumento do efetivo de policiais;
2. Aquisição de equipamentos e viaturas;
3. Reformas e construção de espaços físicos;
4. Brigada Militar: destacar trabalho do policiamento comunitário, maior visibilidade social positiva do policiamento a pé e motorizado; integração com os projetos sociais dos Territórios de Paz e Patrulha Maria da Penha;
5. Polícia Civil: destacar a resolutividade dos homicídios com a implantação de Delegacias Especializadas de Homicídios; ações integradas de repressão qualificada com foco em roubo de veículos; trabalho da Delegacia Especializada das Mulheres;
6. Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe): conquistas da Diretoria de Tratamento Penal como o Plano Estadual de Educação e Profissionalização na Área Prisional; construção de presídios e desocupação do Presídio Central; recomposição do déficit de servidores;
7. Instituto Geral de Perícias (IGP): banco de DNA; recomposição do déficit de servidores;
8. Investimentos da Copa 2014: tornar público os investimentos da Copa na área da segurança; novo CIOSP; integração da comunicação entre as polícias com  tecnologia digital;
9. Área de fronteira: destacar as conquistas do Gabinete de Gestão Integrada de Prevenção e Combate à Lavagem de Dinheiro (GGI de Fronteira), da Estratégia Nacional de Segurança Pública nas Fronteiras (Enafron),  além das ações da Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal.

Área social (políticas públicas de segurança):
1. Resultados dos Territórios de Paz;
2. Recursos captados junto ao governo federal;
3. Recursos investidos pelo governo estadual:
4. Instalação do Observatório Estadual de Segurança Pública com recursos do PPV em parceria com a Unesco;
5. Justiça criminal e prisional: I). Promover "Diálogos Temáticos Regionais" para assinar Ordens de Serviço e Contratos para construção e reforma dos presídios, nas próprias comunidades beneficiadas; II. Verificar parcerias estabelecidas pelo Estado com Defensoria Pública, Ministério Público, Poder Judiciário (em especial protocolos de troca de informações com o banco de dados do CNJ); III. Potencializar a campanha de entrega voluntária de armas e criar Programa de Bonificação para Forças Policiais IV. Dar destaque ao novo Disque-denúncia, na parceria já firmada com o Instituto São Paulo contra a Violência.
O sistema prisional teve destaque nesta reunião com abordagem para o diagnóstico da população carcerária, processos de reincidência e ressocialização; sistemas de controle de uso de celulares na carceragem, monitoramente por câmeras, combate a organização do crime dentro das cadeias, o direito ao exercício da sexualidade, o fim da revista íntima, entre outros aspectos.

2.2. Reunião de instalação da Câmara - 3 de maio
No dia 3 de maio ocorreu reunião de instalação da Câmara Temática Segurança. Foram apresentados origem e objetivos da CT feita pelo secretário Marcelo Danéris; apresentação do Termo de Instalação feita pelo assessor-coordenador Renê Ribeiro; apresentação das políticas de segurança pelo secretário da SSP, Airton Michels; discussão do Termo de Instalação e aprovação do plano de trabalho.


2.3. Segurança com foco nos homicídios - 29 de maio

No dia 29 de maio a reunião debateu a segurança com foco nos homicídios. Ficou consolidado no debate que a ação policial do Estado deve ser a proteção à vida, prevenção à violência,  repreensão e elucidação de crimes contra a vida.
Com relação ao sistema prisional, as manifestações consensuaram para o cumprimento da pena, e programas de ressocialização com parcerias para que os apenados trabalhem.
Prioridade para a elucidação dos homicídios, realizando investigação com conclusão de inquéritos e prisão para os autores, visto que a maioria dos presos são decorrentes de crimes de tráfico e não homicídio. O Estado colocar em vigência plena a lei do desmanche, como forma de coibir o roubo de carros e, por consequência, os latrocínios.
Criação de instância ou grupos de apoio às vitimas; ações preventivas em parceria com a iniciativa privada; intensificar políticas de combate à violência doméstica também com programas de apoio às famílias para amenizar a desestrutura por completo do núcleo familiar onde ocorre violência, estiveram entre as sugestões.


2.4. Controle público e enfrentamento à corrupção - 31 de julho

No dia 31 de julho a Câmara Temática integrou o Seminário “Gestão de Informação e Controle Público no Enfrentamento à Corrupção”, iniciativa do Governo do Estado em parceria com o Ministério da Justiça, Controladoria-Geral da União, Casa Civil, e Secretaria de Segurança Pública do RS. Neste evento, realizado no Palácio Piratini, foram apresentadas iniciativas e mecanismos para ampliar a transparência, controle público e combate a corrupção no sistema estatal.


2.5. Diálogo CDES-RS: Política de Segurança e as novas manifestações públicas - 7 de agosto

No dia 7 de agosto a Câmara realizou um Diálogos CDES-RS sobre “A política  de Segurança Pública para as novas manifestações públicas”, com a presença de conselheiros, a cúpula da segurança e lideranças de movimentos sociais, entre outros com transmissão ao vivo pela Internet com interatividade pela rede social Facebook, encerrando um ciclo debates do Conselho sobre as manifestações das ruas ocorridas em junho de 2013.
Houve consenso da necessidade de aproveitar o momento para transformar a cultura policial com os movimentos sociais e o processo de desmilitarização das polícias brasileiras que tem ainda nas suas estruturas culturas de violência social.
O secretário de Segurança Pública Airton Michels detalhou a atuação das polícias nas manifestações no RS, as prisões realizadas e da orientação sobre a priorização da vida, mas da necessidade de preservar o patrimônio das pessoas que sofreram com a ação dos vândalos. Os comandantes da Polícia Civil e Brigada Militar detalharem suas ações nos ocorridos.
Entre as principais sugestões do debate está a identificação dos policiais na farda e a identificação dos manifestantes por parte da polícia; dar a resposta do controle dos casos de excesso que ocorreram; criação da figura dos mediadores; aprimorar a comunicação para saber quem é quem nas manifestações, quem faz parte do movimento e quem é vândalo.
Foi destacada ainda a importância de retirar a BM dos estádios por ser um evento privado, que acaba tirando policiamento da rua por dias, comprometendo a segurança nos espaços públicos.
A importância de estabelecer a diferença entre movimento social organizado que historicamente se manifestou e promoveu importantes conquistas sociais e também foram hostilizados pelas forças policiais e os atuais baderneiros violentos e abusivos que precisam ser controlados e reprimidos.
A criminalização do negro apenas pela cor, a constituição de polícias comunitárias que atuem próximas as comunidades e a participação das entidades de segurança privada em debates sobre o tema para articular ações também foram foco de manifestações no Diálogo.
O relatório deste debate com as contribuições foi encaminhado ao governador.


2.6. Debate sobre segurança nos estádios em parceria com AL - 16 de setembro

No dia 16 de setembro foi realizada reunião conjunta com a Comissão de Serviços Públicos da Assembléia Legislativa para debater a segurança nos estádios de futebol. Nesta reunião, a Câmara Temática encaminhou uma Nota de Recomendação ao governador, para que a segurança pública do RS, mais especialmente a Brigada Militar, deixe de fazer a segurança privada em jogos de futebol. Este tema já havia sido debatido na reunião de 7 de agosto e esta proposta foi também defendida pela Frente Nacional dos  Torcedores no encontro.


2.7. Reunião de definição final do debate sobre ”proteção à Vida” - 3 de outubro

Em de 3 de outubro houve reunião do GT da CT Segurança Pública.  Após debate e diagnóstico, ficou decidido que será encaminhada Nota de Recomendação ao governador propondo como política permanente de estado a “proteção à vida”, mesma diretriz encaminhada para constar na 2ª Carta de Concertação.


 
2.8. Reunião final de aprovação da Nota de Recomendação - 09 de dezembro

Em 9 de dezembro houve reunião de trabalho da CT cuja a pauta foi a aprovação final da Nota de Recomendação ao governador propondo como política de estado a efetiva “proteção à vida”.

3.         Notas de Recomendação ao Governador

Após análise da conjuntura do sistema de segurança do estado do Rio Grande do Sul e do contexto social, a Câmara Temática propôs duas notas de recomendação ao governador Tarso Genro:


3.1.     Retirada gradual da Brigada Militar dos estádios

          A Câmara Temática da Segurança Pública foi proposta pelo governador Tarso Genro e reuniu conselheiros e conselheiras em eventos pontuais para tratar o tema segurança pública no estado do Rio Grande do Sul.  Nos eventos realizados tanto por este colegiado quanto pela Câmara Temática Copa 2014, surgiu a necessidade de debater a presença da  Brigada Militar nos estádios de futebol.  Diante disso, o CDES-RS, em parceria com a Assembleia Legislativa, promoveu um debate para aprofundar o assunto, o que ocorreu no dia 16 de setembro de 2013, na sala de reuniões Adão Pretto da AL. Na ocasião, estiveram presentes conselheiros titulares e técnicos, autoridades, entidades, sociedade civil organizada, órgãos de segurança pública, empresas de segurança privada e representantes dos clubes de futebol e da área esportiva.
      
 Através do debate, foi consolidado o entendimento de que não é possível colocar a segurança pública a serviço da iniciativa privada, sob pena de desatender uma grande parcela da população que fica com a segurança precarizada devido à falta de policiais disponíveis para o trabalho diário. Tomamos por exemplo que, em um jogo com 10 mil torcedores, considerado de pequeno porte, 150 policiais têm que ser deslocados de suas funções para fazer a segurança do evento, dentro e no entorno do estádio. Em jogos de médio porte (10 a 30 mil pessoas), o contingente de policiais envolvidos é de 250; em grandes jogos (30 mil pessoas), o número chega a 450 policiais. Destaca-se que esses policiais que trabalham durante os jogos de futebol compensam as horas trabalhadas com folgas, o que pode deixar descoberto ou com menos contingente o policiamento de rua.

         Assim, a Câmara Temática da Segurança Pública, de acordo com a opinião majoritária dos conselheiros, recomenda ao governador do Estado do Rio Grande do Sul:

a)        Que a Brigada Militar do Estado do RS, gradualmente, deixe de atuar na segurança  dentro dos estádios de futebol, fazendo-se às vezes de segurança privada,  nos dias de jogos promovidos pelos clubes de futebol e/ou entidades privadas;
b)        Considerando que há uma cultura desta forma de segurança, e para que não haja uma ruptura, causando impacto e criando uma desestrutura nos eventos, que seja criado um mecanismo de transição da segurança realizada pela Brigada para a segurança privada, com data para encerrar a atuação da força pública nos citados eventos;
c)         Que durante esta transição, o Estado seja ressarcido pelos clubes de futebol dos custos financeiros decorrentes da disponibilização da força pública, devendo tal ressarcimento ser utilizado para amenizar a precarização da segurança nos dias após os jogos de futebol, pela falta  do efetivo necessário nas ruas.
                                                          
Porto Alegre, 19 de setembro de 2013.



3.2.     Política de Estado de “proteção à vida”

        “A Segurança Pública é um dos principais temas de debate na sociedade gaúcha. Desta forma, o Governador Tarso Genro propôs ao CDES-RS a constituição da Câmara Temática para a discussão específica do assunto.

         Ao longo de 2013, houve diversas reuniões de trabalho, com a presença de conselheiros titulares e técnicos, autoridades, entidades da sociedade civil organizada, órgãos de segurança pública, empresas de segurança privada, academia entre outros. Nos debates foram construídos eixos de trabalho como focos da atuação da Câmara Temática Segurança Pública, tais como prevenção, repressão, execução da pena, ressocialização, drogadição e proteção à vida.

          Destes, a “proteção à vida” cristalizou-se como conceito básico fundamental que tem interface com os demais, ao qual deverá ser proposto como foco de atuação prioritária da Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul.

         Para tanto, estamos propondo ao governador Tarso Genro:

Que estabeleça como política permanente de Estado a “proteção à vida”, fundada na segurança dos direitos fundamentais e sociais, como diretriz primordial do sistema de segurança pública estadual, tendo como eixos estruturantes:
a) a qualificação e o aperfeiçoamento permanente e continuado da investigação criminal visando à elucidação total dos homicídios;
b)   o acréscimo qualitativa do Instituto Geral de Perícias;
c) a ampliação do número de Delegacias Especializadas em  Homicídios, Proteção da Pessoa e das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher;
d) o aumento dos Territórios de Paz, do Programa Estadual de Policiamento Comunitário e da Patrulha Maria da Penha, visando a reduzir e controlar a vitimização letal de jovens e mulheres;
e)  por fim, a reestruturação do sistema prisional em unidades menores, oferecendo educação profissional para os apenados, em parceria com a iniciativa privada”


Porto Alegre, 9 de Dezembro de 2013.


4.    Contribuições recebidas

Em 5 de dezembro o conselheiro Eduardo Pazzinato enviou documento com sugestões para a 2ª Carta de Concertação e CT: “Estabelecer a “proteção à vida”, fundada na segurança dos direitos fundamentais e sociais, como diretriz primordial do sistema de segurança pública estadual, tendo como eixos estruturantes:
a) a qualificação e o aperfeiçoamento permanente e continuado da investigação criminal, a partir do estímulo à especialização da Polícia Civil e do incremento qualitativo do Instituto Geral de Perícias, através, entre outros, do aprofundamento e da ampliação das Delegacias Especializadas de Homicídios e Proteção da Pessoa e das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e Criança e Adolescente, do reaparelhamento da perícia técnica, de investimentos na inteligência e em tecnologias de controle social, como a nova Central de Comando e Controle Estadual, no bojo dos preparativos da Copa do Mundo de 2014;
b) da prevenção social das violências e dos crimes e da promoção dos direitos, mediante o desenvolvimento dos Territórios de Paz, voltados a reduzir e controlar a vitimização letal de jovens e mulheres, especialmente, do Programa Estadual de Policiamento Comunitário, da Patrulha Maria da Penha, ambos liderados pela Brigada Militar;
c) do apoio técnico às políticas públicas de segurança levadas a efeito pelos municípios gaúchos;
d) da formação e da valorização profissional das carreiras de Estado das instituições de segurança pública (Brigada Militar, Polícia Civil, Susepe e IGP) e;
e) do estímulo à integração sistêmica entre as agências de segurança pública do Estado e da União e daquele com os municípios, notadamente a partir dos Gabinetes de Gestão Integrada Municipais (GGI-M’s) e dos Gabinetes de Gestão Integrada de Fronteira (GGI-F’s);
f) que o Programa RS na Paz possa ser potencializado, técnica e financeiramente, pelo Estado do Rio Grande do Sul, notadamente no que concerne à sua interface com os municípios gaúchos;
g) Proponho que a captação de recursos para o desenvolvimento de projetos e ações integradas nessa área não dependem somente na busca de recursos federais. Nesses termos, uma das possibilidades é buscar uma linha de financiamento direta junto ao Banrisul, Badesul, BRDE, entre outros, para os municípios interessados em dinamizar sua atuação na área da segurança pública.



Conselheiros e Conselheiros Técnicos
Alexandre Saltz
André Fernando Leite
Armando Moutinho Perin
Cristian Rios
Eduardo Pazinato
Lícia Peres
Leonardo Monteiro Silveira
Jarbas Lima
José Antonio Azevedo
Pedro Silveira Bandeira
Ronald Krumennauer
Sandrali de Campos Bueno
Marcelo Bertoluci
Mário de Lima
Mauri Cruz
Nadine Anflor

Secretário-executivo do CDES-RS
Marcelo Danéris

Secretário Adjunto
Coordenador das Câmaras Temáticas
Nelson Spolaor

Coordenador da Câmara Temática
Renê Ribeiro
 

 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Ronaldo Custódio é “Engenheiro do Ano 2013”



Ontem na SERGS: Ronaldo Custódio, João Ramis, este bloguista e Valter Cardeal
    
A Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul (SERGS) realizou ontem (quarta-feira (11)) a solenidade de entrega do título de “Engenheiro do Ano de 2013”.
O evento teve início às 20h, na sede social da entidade, localizada na Av. Cel. Marcos, 163, bairro Pedra Redonda, em Porto Alegre.
O título de “Engenheiro do Ano” vem sendo conferido anualmente desde 1985 pela entidade com o objetivo de destacar a atuação de profissionais que tenham contribuído de forma decisiva para o desenvolvimento da engenharia gaúcha e nacional.
Nesta edição do prêmio, um dos agraciados com a láurea, pela Área Pública, foi o eng. Ronaldo Custódio, diretor de Engenharia e Operação da Eletrosul;
A atuação técnica, inovadora e competente com que o engenheiro Ronaldo Custório conduz sua função, somada a sua expertise no setor eólico, ao qual é a maior referência no país, transformou a geração da Eletrosul em referência no Brasil e no exterior.
Custódio, gaúcho de Santana do Livramento, também tem prestado relevantes e imensuráveis serviços ao povo gaúcho, colocando o RS no mapa da geração eólica do Brasil, criando novo tecido produtivo, aquecendo este setor na indústria, gerando emprego, desenvolvimento social e riqueza para nosso estado.
O Rio Grande do Sul deve muito ao companheiro Custódio, sendo este título de “Engenheiro do Ano de 2013”, marco justo deste reconhecimento.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Nilce Cardoso: “Ser mulher me ajudou a enfrentar a tortura”

Nilce veio de São Paulo para o Rio Grande do Sul com o primeiro marido para refazer as bases da AP no estado | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Nilce veio de São Paulo para o Rio Grande do Sul com o primeiro marido para refazer as bases da AP no estado | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Lorena Paim e Nubia Silveira
Os olhos claros, brilhantes, vivazes, o riso fácil e os gestos incontidos revelam a psicopedagoga, feliz com a família que construiu. Quem desconhece o passado de Nilce Azevedo Cardoso não imagina que tem à sua frente a ex-integrante da Ação Popular (AP), torturada no DOPS gaúcho e na Oban paulista. Mulher corajosa, forte, apesar do seu tipo mignon, ainda luta para superar as marcas deixadas pelos socos e choques que recebeu e as horas passadas no pau de arara. Seu útero foi queimado, o esterno quebrado e a coluna precisou receber uma placa e alguns pinos para se manter no lugar.
Mais de 40 anos depois, ela lembra aquele período e diz que faria tudo outra vez. “Nós não estamos em época de reconciliação, mas de reconstrução de um novo estado e todos deveriam ser julgados”, acredita ela, falando sobre os torturadores e os mandantes da ditadura. Radicada no Rio Grande do Sul, orgulha-se de ter recebido este ano o título de Cidadã de Porto Alegre, da Câmara de Vereadores, e a Medalha Mérito Farroupilha, da Assembleia Legislativa.
Para o Sul21,  Nilce, que usou durante a resistência, entre outros, os nomes de Vera e Mônica, deu mais do que uma simples entrevista. Deu um depoimento, sem censuras, sobre sua luta contra a ditadura e a tortura que ainda é praticada no Brasil.
Sul21- Como você se sente ao falar sobre a prisão e as torturas que sofreu durante a ditadura?
Nilce Azevedo Cardoso
– Foi algo bastante brutal. Levei muito tempo para poder falar sobre isso. Atualmente me sinto à vontade porque estou fazendo disso uma parte da minha militância, para que as pessoas fiquem sabendo, e para que a gente possa buscar justiça. Para que se possa falar e conhecer a fundo, parece que há muito caminho a percorrer. Se antes falávamos de uma ditadura que parecia longínqua e de uma tortura que parecia inexistente, hoje é só entrar em uma delegacia e a gente vê pau de arara, gente apanhando. Temos que pedir justiça em todos os sentidos: onde estão nossos mortos, quem os torturou – se estavam (a ditadura e seus agentes) defendendo uma coisa em que acreditavam, por que esconder os corpos? Foi uma luta que começou com familiares dos desaparecidos, e temos muito a fazer ainda porque os poderes públicos demoraram e demoram muito (a lutar pela verdade), por pressão certamente.
"Levei muito tempo para poder falar sobre isso. Atualmente me sinto à vontade porque estou fazendo disso uma parte da minha militância" | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
“Levei muito tempo para poder falar sobre isso. Atualmente me sinto à vontade porque estou fazendo disso uma parte da minha militância” | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

“Não conseguimos ainda pegar a raiz da violência”

Sul21- Por que somente agora se fala sobre desaparecidos, torturados, presos?
Nilce -
Nada se faz de uma hora para outra. É tudo absolutamente montado para se ter uma ditadura. Para se ter uma democracia também. Todos os movimentos começaram a aparecer após a redemocratização do país e, assim, surgiram as condições objetivas de fazer as comissões da verdade. É tanta violência na sociedade que temos que procurar as origens. A violência está legitimada, nas famílias, nas cadeias, na sociedade. Começou-se a estudar esse tema nas academias. E os governos começaram a pautar sobre isso.
Sul21- O que provoca a tortura?
Nilce -
Ajudada pelos filósofos, a gente entende que a humanidade foi sempre violenta. O bem, o mal, o amor, tudo isso é fruto de uma construção. Não conseguimos ainda pegar a raiz da violência. Que civilização nós criamos que permite isso? Perdemos há pouco o líder sul-africano Nelson Mandela, que levantou a questão do preconceito e passou mais de 20 anos preso. Então, é uma luta grande que, por ser molecular, teria que ser de todo o mundo. Quem puder falar que fale sobre o que aconteceu, mesmo que doa, que dê pesadelo à noite. Ainda hoje sonho com a tortura.
Sul21- Ao falar, você revive aqueles dias de prisão e tortura?
Nilce -
Revivo de outra maneira. Tive 17 anos de psicanálise e pude reviver muita coisa. Sofri durante muito tempo de uma amnésia muito grande, anos que não me lembrava de coisa alguma. Presa e torturada no DOPS em Porto Alegre, eu acabei entrando em coma. Fui para o Hospital Militar, depois voltei à prisão. Em geral, os médicos costumavam liberar (os torturadores) para continuarem a tortura. Foi tão traumático aquele momento que, pendurada no pau de arara, tendo sido queimada e levado choques por toda parte, o corpo perdeu o sentido de proteção. Aí o psíquico ficou fragilizado. Quebraram meu osso esterno a socos. Entrei em coma, o que agora me parece uma defesa. Apanhei muito na cabeça, me deram muita medicação. Hoje tenho cirrose autoimune, não se sabe como veio. Quando cheguei na Oban, em São Paulo, não consegui chamar ninguém da minha família, não lembrava do nome de pai, mãe, irmão, para ligar para eles.

“Pedro Seelig estava ali. Nilo Hervelha me batia toda hora”

Sul21- Sabe os nomes dos seus torturadores?
Nilce -
Sei de alguns. Pedro Seelig estava ali toda hora, lembro de Nilo Hervelha toda hora me batendo. Muito tempo depois, uma vez, por acaso, dei uma cruzada com Pedro Seelig num corredor, reconheci-o pelo cheiro.
"A revolta contra a tortura me vem na forma desse sentimento interessante que é de luta" | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
“A revolta contra a tortura me vem na forma desse sentimento interessante que é de luta” | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Sul21- Que sentimentos ficam da tortura?
Nilce -
Sentimento de indignação, por acontecer e continuar acontecendo uma coisa dessas. Essa revolta me vem na forma desse sentimento interessante que é de luta. Um ódio que não me tortura mais, ao contrário, me empurra mais para a luta. Um horror tão grande que não tem nome, é inimaginável o que uma pessoa sente pendurada no pau de arara, o corpo absolutamente entregue, as blasfêmias que as pessoas ficam falando, a gente nua de modo que se perca nosso contorno afetivo. Para que a gente passe a ser um objeto, uma coisa qualquer que eles possam fazer o que bem entendem (e dizem isso).
Sul21- Você tomou a decisão de não reagir durante a prisão.
Nilce -
Pela função que eu ocupava e pelas coisas que eu sabia, percebi quem tinham entregue o meu nome. Naquele momento eu tinha duas saídas: ou eu gritava ou ficava muda. Eu tinha certeza de que eu não ia falar nada e que ia morrer. Pensava: quero morrer lutando ou entregando meus companheiros? Por maior que fosse horror, o medo, eu fui ficando cada vez mais muda.

“Às vezes só tirar a roupa é absolutamente insuportável”

Sul21- Com o foi a sua ida do DOPS de Porto Alegre para o centro da Oban, em São Paulo?
Nilce –
Isso de lugar pior ou melhor de tortura não existe. A Oban era um centro de tortura organizado para isso, com dinheiro vindo de empresários. Eu já estava um mês e meio presa em Porto Alegre.Tinha muita coisa aberta, as pessoas já tinham falado. Eu estava muito mal fisicamente e talvez por isso não fui para a chamada cadeira do dragão (cadeira de choques) na Oban. Às vezes só tirar a roupa é absolutamente insuportável. Uma agressão que para as mulheres tem uma particularidade maior. Dá muita vergonha, ódio. A ameaça quase tem o efeito da própria tortura. Eu sofri outro tipo de tortura, pois estava debilitada, tinha perdido sangue e muitos quilos, tinha infecção generalizada no intestino e no útero. Muita gente sabia que eu estava presa e não iam me matar, me fazer sofrer desaparecimento ou “suicídio” como se chamava. Eram torturas mais psicológicas, quase sempre de noite, com luzes e som muito altos.
Sul21- Quais as lembranças da Oban?
Nilce -
Havia várias equipes de tortura na Oban, entre as quais a de inteligência, que estudava o perfil de cada um (ao contrário de Porto Alegre, onde Pedro Seelig era a cabeça para tudo). Sabiam que eu vinha da JUC – Juventude Universitária Católica antes de integrar a Ação Popular (AP) e viram nisso um meio de chegar em mim. Um dos torturadores, Mangabeira, era muito supersticioso. Ele usava uma roupa de candomblé, mas exageradamente. Uma noite, me levou para uma sala enfumaçada e me disse: hoje nós vamos conversar com o diabo, quero ver se você vai ficar em silêncio. Aí eu disse: o que estou vendo é o diabo que me protege e não o que te protege, pois ele não é como você está falando. Imediatamente ele me tirou dali. (Pode ser algo da minha imaginação. Na Oban tinham me tirado toda a medicação. Pode ter sido alucinação? Não sei.)
"Eles queriam pegar toda a liderança da AP e liquidar, o que significa matar" | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
“Eles queriam pegar toda a liderança da AP e liquidar, o que significa matar” | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Sul21 – Até quando ficou presa em São Paulo?
Nilce -
Fiquei um mês na Oban. Como eu sou paulista, tinha militância em São Paulo. Eles queriam saber as ramificações, para acabar com a Ação Popular. Eles queriam pegar toda a liderança e liquidar, o que significa matar. No ano seguinte, 1973, tivemos dez mortes. Paulo Stuart Wright, um de nossos dirigentes, é desaparecido até hoje. Quando voltei para o Dops em Porto Alegre, todos nós saímos da prisão, pelo trabalho do meu advogado Eloar Guazzelli. Foram quase seis meses presa no total. Nos soltaram porque não acharam provas. O que acharam sobre mim? Que era operária, militante estudantil, tinha pichado rua. Quando sai, tinha que me apresentar semanalmente na auditoria militar. No final, o processo foi arquivado.
Sul21 – Qual a origem da sua militância?
Nilce –
Primeiro entrei na JUC – Juventude Universitária Católica e em 1967 fui para a AP, tinha terminado a faculdade de Física na USP. Passei para o que se chamava de “serviços”, fazendo a ligação entre os dirigentes, tudo o que fosse organizacional (por isso conhecia todos eles). Fazia depois a política de integração na produção, como se chamava todo o trabalho com os operários. Fui ser operária, aprendi desde como me comportar até como era a vida delas. O pessoal daqui de Porto Alegre tinha caído, o movimento estava desarticulado. Antonio Ramos Gomes, meu primeiro marido, veio para cá, ficou na coordenação, e eu vim junto, trabalhei na Renner, fábrica de tintas. Em São Paulo, trabalhei na Rhodia.

“Eu era muito dura. Achava: se entrou na luta, tem que aguentar”

Sul21 – Como foi sua prisão?
Nilce -
Em 11 de abril de 1972 fui sequestrada num ponto de ônibus onde a gente costumava se encontrar. Fiquei sabendo quem me delatou. Eu era muito rígida. Achava: “se entrou nessa luta, tem que aguentar”. Por exemplo, alguém ir para a televisão e se declarar arrependido eu achava o cúmulo. Mas depois percebi que o ser humano não aguenta as torturas, tem um limite e daí fala. Por exemplo, botaram o filho de um companheiro nosso pendurado no meio do oceano, ameaçando jogá-lo. Esse era o limite dele. Passei a ver filmes, como A Memória que me Conta, de Lucia Murat, Mentiras que me contaram, Que bom te ver viva, ambos com Irene Ravache. Hoje, com 68 anos, tenho outra compreensão. Entendo que o ser humano tem limites e cada um tem o seu.
"Perdoo meus companheiros de luta.  Aos torturadores cabe justiça" |  Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
“Perdoo meus companheiros de luta. Aos torturadores cabe justiça” | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Sul21 – Hoje você tem outro olhar, de perdão?
Nilce -
Perdão aos meu companheiros de luta, sim. Aos torturadores, não cabe essa questão, cabe justiça. A eles e aos ditadores, a todos os mandantes civis e militares. A eles cabe serem julgados e condenados pelo que fizeram. Nós já fomos julgados. Não é por acaso que estão fazendo toda essa farra dos mensaleiros, tem outros dos quais não se fala nada. Porque aí se falaria de outras justiças, de outros processos.
Sul21- A propósito, Mandela falava em “reconciliação” na África do Sul. Essa palavra caberia aqui?
Nilce -
Não se trata disso no nosso caso. Mandela estava num país dividido. Nós não estamos nessa época de reconciliação, mas de reconstrução de um novo estado e todos deveriam ser julgados. Todos os mensaleiros, por exemplo, devem ser julgados. A justiça tem que ser feita. Mesmo com aqueles que, na tortura, nos davam água, um doce, como uma investigadora fez comigo. Os argentinos já fizeram isso (julgamentos, justiça), os uruguaios também. Na nossa história isso vai significar muito, porque estamos vivendo a impunidade. Não sei se Dilma vai precisar desse exemplo do que Mandela fez para governar. Nós conseguimos um estado de direito, estamos construindo uma democracia. Ela teve que fazer alianças espúrias, é uma mulher de fibra que está aguentando muita coisa.

Sul21 – Qual o papel da JUC e outras organizações religiosas na luta contra a ditadura?
Nilce -
Há alguns que acreditam nos valores morais da religião. Todos esses movimentos de juventude (dentro da Igreja Católica) surgiram quando perceberam que a Igreja, como instituição, estava apoiando o golpe. Então, montaram essas resistências. Ver, julgar e agir era nosso lema. Houve padres que foram barbaramente torturados. Então, surgiram outras necessidades que deram origem a movimentos mais efetivos, no sentido de tomada do poder. Na AP fazíamos trabalho de conscientização para um dia vir a tomar o poder, e discutíamos essas questões com os companheiros da luta armada.

“Ao sair da prisão, sofria de paranoia, de fobia”

Sul21 – Como foi a sua vida após sair da prisão?
Nilce -
No início não andava sozinha, tinha que ter alguém junto. Sofria de paranoia, de fobia. Que bom te ver viva é o título de um filme recente, que foi fundamental para minha retomada à vida. Passei a trabalhar a ideia de porque eu estava viva e os outros morreram. E também minha analista me dizia: pare de ter pena de si mesma, não foi assim que você foi educada por seus pais. Voltei a ser professora de Física, depois psicopedagoga e psicanalista. Não pensei em sair do país, quis ficar junto dos meus amigos, de minha família. Entrei em vários movimentos que me davam respaldo político e afetivo. Militei no MDB, no IEPES,  na CUT e no PT, principalmente no movimento de mulheres. Sempre ligada aos movimentos pelos direitos humanos.
"A tortura é um ato de maldade, pensado para o aniquilamento do ser humano, em todos os níveis" | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
“A tortura é um ato de maldade, pensado para o aniquilamento do ser humano, em todos os níveis” | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Sul21 – Em certa ocasião de sua prisão e tortura, você pensou em parar de respirar…
Nilce -
A tortura é um ato de maldade, pensado para o aniquilamento do ser humano, em todos os níveis. Quando te despem, dão socos, os choques em todas as partes do corpo, inclusive vagina adentro para queimar o útero, é uma dor que não saberia descrever, de tão intensa que parece que está na alma. No pau de arara, na posição de trancar todas as articulações, a circulação não existe, como se tudo estivesse represado ao longo do corpo. Parece que cada célula foi amarrada. Hoje, meu médico diz que tenho que curar célula por célula. Quando veem que a pessoa está sem circulação, entregam para alguém e a gente fica andando até voltar à tortura. Eu pensava que não iria sobreviver, pensava: se estava já condenada à morte, me matem de uma vez. E depois pensei: e se eu parar de respirar? Fiquei bastante tempo (sem respirar). Mas o instinto de sobrevivência é maior. Psiquicamente isso teve consequências traumáticas sérias, pois ninguém pode atentar contra a própria vida. Por isso talvez entrei em coma e, mais tarde, tive amnésia.
Sul21 – Os choques no útero teriam a finalidade de destruir a sua essência feminina?
Nilce -
Naquela hora falavam algo que destrói: mãe você nunca vai ser. Atingia minha essência de mulher. Com os choques eu me sentia estuprada. As palavras deles, quando me xingavam, era a mulher que estava sendo espezinhada. É um milagre da vida, com o útero que tive, depois conceber dois filhos – Semíramis e Paulo – e agora ter quatro netas. Milagre que vem da quase impossibilidade física de ficar grávida. No parto perdi muito sangue, mas a filha nasceu normal.
A questão da mulher sempre foi estudada e usada por eles. E isso também foi a fonte de minha possibilidade de superação. Quando saí do coma, pedi uma gilete; surpresos, imaginaram uma tentativa de suicídio. Mas não, era para me depilar, pois estava peluda. E não queria ir para a tortura peluda. Aquilo me recuperou algo do feminino e de ser gente. Pedi para minha mãe trazer esmalte, pente, coisas mínimas. Quando cheguei na Oban de unha pintada, você pode imaginar o que as outras acharam. É uma questão de brio e isso me salvou. Por exemplo, para dormir na prisão usava pijama e chambre.

A vida na clandestinidade incluía trabalho, reunião com os operários, distribuição de panfletos

Sul21 – De onde vem sua resiliência, a força e a capacidade de superação?
Nilce -
Acho que vem dos meus pais, os dois eram professores. A gente aprendeu a se virar, a nunca largar a peteca. Eu era bailarina clássica quando criança e não tinha essa história de cansaço. A vida na clandestinidade incluía trabalho, reunião com os operários, depois distribuição de panfletos. E ainda lavar a roupa, tarefas domésticas normais. E fazer as tarefas internas, como escrever as cartas com códigos para os dirigentes. A que horas dormia eu não sei. Um grande companheiro, Diógenes Sobrosa, braço direito do Lamarca, comentava comigo, quando eu já tinha saído da prisão, sobre as cartas que eu escrevia em código e passavam pela censura: “que cartas medíocres, sem estilo…”
Sul21 – Quando você se deu conta de que estava voltando à vida após a prisão?
Nilce -
Felizmente tenho essa história de alegria. Tenho um exército de anjos da guarda, além de pessoas importantes, amigos que foram fundamentais e me davam sustentação afetiva, meu segundo marido, Antônio Norival Soave. Logo comecei a trabalhar, dando aulas. Fiz biodança, que enfatiza a questão do toque. Acho que o nascimento dos meus filhos me recuperou. Apesar de meu útero machucado, com sangramento, minha filha nasceu bem. Meu segundo marido era operário, ficou presos por dois anos, quando saiu já tinha elaborado um pouco (a tortura sofrida), aí eu vejo diferenças com essas pessoas, que saíam para as ruas mais recuperadas. Eu levei muito tempo, tive troca de personalidade e outros problemas, até fazer uma análise bem feita, para buscar uma unidade, uma identidade. Meus filhos tinham no pai um sustentáculo afetivo. Hoje, eles não falam sobre a tortura.
"O  nascimento dos meus filhos me recuperou" | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
“O nascimento dos meus filhos me recuperou” | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Sul21 – Como foi o diálogo com seu pai sobre sua militância?
Nilce -
Ele estava morrendo e me perguntou se tinha valido a pena o que passei. Eu disse que não escolhi ser torturada, mas escolhi ir para a resistência e isso valeu a pena; faria de novo, talvez corrigindo alguns caminhos. Minha vida não é centrada na tortura que senti, eu fui torturada durante a ditadura, hoje sou uma mulher resistente, indignada e continuo lutando.

Sul21 – E o legado à nova geração?
Nilce -
Eu sou uma entre muitas que resistiram, fazemos parte de uma geração generosa que doou inclusive a vida para uma mudança na sociedade. Nosso legado é de alegria por ser parte dessa geração e ter isso como valor. Valor que vemos hoje no jovem que sai às ruas para lutar pelo que quer. Minha história já está caindo no vestibular. Nossos valores continuam muito firmes, temos que juntar as lutas todas para criar um novo mundo. É uma esperança que deve ser retomada. Amanhã será um novo dia, este era o lema de minha mãe. É preciso se indignar contra qualquer injustiça, aceitar as diferenças. Não nascemos para ser robôs, ao contrário do que o capitalismo pensa. É um momento especial para trabalhar junto com esses jovens contra qualquer forma de tortura e violência, não só daquela época, mas de hoje, para juntos podermos construir uma sociedade solidária, democrática e igualitária, que aceite as diferenças, sem discriminações de qualquer tipo

 Sul 21 > Em Destaque > Nilce Cardoso: “Ser mulher me ajudou a enfrentar a tortura” Data:10/dez/2013, 9h54min

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Quando dólares falam mais alto

Engana-se quem pensa que já se conhecem todos os fatos relacionados com o golpe civil militar de 1964 que derrubou o Presidente constitucional João Goulart. 




Nos últimos meses, graças ao trabalho das Comissões da Verdade, sejam estaduais ou a Nacional, muito fato novo vem sendo divulgado. 
Mas um fato desta semana, protagonizado por João Vicente Goulart, ao ouvir uma denúncia do então Major do Exército Erimá Pinheiro Moreira, poderá mudar o entendimento de muita gente sobre a ocorrência  mais negativa da história recente brasileira. O alerta tem endereço certo, ou seja, aqueles que ainda imaginam terem os golpistas civis e militares agido por idealismo ou algo do gênero.
O Major farmacêutico em questão, hoje anistiado como Coronel, servia em São Paulo em 31 de março de 1964 sob as ordens do então comandante II Exército, General Amaury Kruel (foto).  Na manhã daquele dia, Kruel dizia em alto e bom som que resistiria aos golpistas, mas em pouco tempo mudou de posição. E qual foi o motivo de o general, que era amigo do Presidente Jango Goulart, ter mudado de posição assim tão de repente, não mais que de repente?
Mineiro de Alvinópolis, Erimá Moreira, hoje com 94 anos, e há muito com o fato ocorrido naquele dia trágico atravessado na garganta, decidiu contar em detalhes o que aconteceu. O militar, que era também proprietário de um laboratório farmacêutico e posteriormente convidado a assumir a direção de um hospital, foi procurado por Kruel no hospital. Naquele encontro, o general garantiu ao major que Jango não seria derrubado e que o II Exército garantiria a vida do Presidente da República.
Pois bem, as 2 da tarde Erimá foi procurado por um emissário de Kruel de nome Ascoli de Oliveira dizendo que o general queria se reunir com um pessoal fora das dependências do II Exército. Erimá indicou então o espaço do laboratório localizado na esquina da Avenida Aclimação, local que hoje é a sede de uma escola particular de São Paulo. Pouco tempo depois apareceu o próprio comandante do II Exército, que antes de se dirigir a uma sala onde receberia os visitantes pediu ao então major que aguardasse a chegada do grupo.
Erimá Moreira ficou aguardando até que apareceram quatro pessoas, um deles o presidente interino da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP), de nome Raphael de Souza Noschese, este já conhecido do major. Três dos visitantes carregavam duas maletas grandes cada um. Erimá, por questão de segurança, porque temia que pudessem estar carregando explosivos ou armas, mandou abrir as maletas e viu uma grande quantidade de notas de dólares. Terminada a reunião foi pedida que a equipe do major levasse as maletas até o porta-malas do carro de Amaury Kruel, o que foi feito.
De manhã cedo, por volta das 6,30 da manhã, Erimá Moreira conta que mais ou menos uma hora e meia depois da chegada no laboratório ligou o rádio de pilha para ouvir o discurso do comandante do II Exército. Moreira disse que levou um susto quando ouviu Kruel dizer que se “o Presidente da República não demitisse os comunistas do governo ficaria ao lado da “revolução”.
Erimá Moreira então associou o que tinha acontecido no dia anterior com a mudança de postura do Kruel e falou para si mesmo: “pelo amor de Deus será que ajudei o Kruel a derrubar o Presidente da República?” 
Ainda ouvindo o discurso de Kruel, conta Erimá, chegaram uns praças para avisar que tinha uma reunião marcada com o general no QG do II Exército.
Na reunião, vários militares, alguns comandantes de unidades, eram perguntados se apoiavam Kruel. “Eu não aceitei e pedi para ser transferido”.
Indignado, Erimá Moreira dirigiu-se a um coronel do staff do comandante do II Exército para perguntar se o general Kruel não tinha recebido todo aquele dinheiro para garantir a vida do Presidente. “Me transfiram daqui, que com o Kruel no comando eu não fico”.
Aí então – prossegue Erimá Moreira – me colocaram de férias para eu esfriar a cabeça. Na volta das férias, depois de um mês, fiquei sabendo pelo jornal que o Kruel havia me cassado”.
A partir de então o Major e a família passaram maus momentos com os vizinhos dizendo à minha mulher que era casada com um comunista. “Naquela época, quem fosse preso ou cassado era considerado comunista”.
Algum tempo depois contei esta história que estou contando agora ao General Carlos Luis Guedes, meu amigo desde quando servimos em unidades militares em São João del Rey. Fiz um relatório por escrito e com firma reconhecida. O General Guedes tirou xerox e levou o relato para a mesa do Kruel. Em menos de 24 horas o Kruel pediu para ira para a Reserva. Fiquei sabendo que com o milhão de dólares que recebeu do governo dos Estados Unidos comprou duas fazendas na Bahia”.
Ao finalizar o relato, o hoje Coronel Erimá Moreira mostrou-se aliviado e ao ser perguntado se autorizava a divulgação desse depoimento, ele respondeu que “não tinha problema nenhum”.
Nesse sentido, sugerimos aos editores de todas as mídias que procurem o Coronel Erimá Pinheiro Moreira para ouvir dele próprio o que foi contado neste espaço. Sugerimos em especial aos editores de O Globo, periódico que recentemente fez uma autocrítica por ter apoiado o golpe de 64, que elaborem matéria com o militar que reside em São Paulo.
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  • 16 Comentários recebidos
·          Em 03/10/2013, Eliseu Leão escreveu:
Legal. Ouvimos sempre a estoria contada pelo caçador e raramente a contada pela caça. --- Faz muito tempo que está girando na internet a mail - ''Os cinco Generais Presidentes'' - relatando a ''pobreza'' deles: Castelo, apenas um apartamento em Ipanema e poucas ações de empresas públicas e privadas -- Costa e Silva bateu as botas deixando um apartamento em construção, em Copacabana -- Garrastazu Médice, dispunha, como herança de família, de uma fazenda de gado em Bagé -- Ernesto Geisel, antes de assumir a presidência, comprou o sítio de Teresópolis -- Figueiredo, depois de deixar o poder, não aguentou as despesas do sítio em Petrópolis. Pensou em vende-lo e ficar com os cavalos pra não sentir o cheiro do Povo. Depois mudou de idéia. Vendeu primeiro os cavalos e depois o sítio, ficando com o apartamento de São Conrado. O autor desse relato quer lembrar aos eleitores ''palhaços'' que estes generais não enriqueceram no poder, ao contrário do Lula, que fez filme com dinheiro público exaltando a propria personalidade, comprou avião de luxo no exterior, saiu de Brasilia com 11 caminhões lotados com moveis e objetos roubados, etc, etc.
    • Em 03/10/2013, Eliseu Leão escreveu:
O Kruel era coronel mas já tinha talento -- A Escola Superior de Guerra (criada em 1949 por inspiração e com a ajuda dos EUA) foi dirida pelo grupo de entreguistas da ''cruzada democrática'', que obedecendo ordens expressas do governo estadunidense, retirou o General Estilac Leal do Ministério da Guerra (um nome que honra o Brasil e os brasileiros). Com a queda do Estilac Leal a curriola do Eduardo Gomes teve ''mão livre'' pra desencadear a repressão dentro das Forças Armadas sob a orientação direta de oficiais estadunidenses. Transformaram quartéis em locais de tortura de dezenas de oficiais, sargentos, soldados e marinheiros ligados à luta anti-imperialista; oficiais estadunidenses participavam das escoltas que prendiam militares brasileiros!! ------ Alguém pode imaginar uma escolta integrada por militares brasileiros prendendo militares estadunidenses no solo dos EUA?? Basta esse fato pra dar a dimensão da falta de honra, patriotismo e vergonha dos entreguistas que executaram o golpe contra Jango ------ O capitão estadunidense Edgard Bundy, obedecendo ordens do presidente Truman, orientou diligências no Brasil ''dando assistencia'' ao cel. Amaury Kruel na Auditoria incumbida de julgar oficiais ''comunistas'' da FAB (comunistas eram aqueles que defendiam os interesses do Brasil e se opunham aos interesses dos EUA). Fonte: Moniz Bandeira.
    • Em 03/10/2013, Rubens escreveu:
É, o poder do dinheiro e a falta de dignidade de um comandante do exército brasileiro.
    • Em 04/10/2013, Eliseu Leão escreveu:
Parece até que foi ontem, 3 de outubro de 1953, a assinatura da Lei 2004 pelo Getúlio Vargas. 60 anos redondos! A Standard Oil do Nelson Rockfeller (que se dependesse de mim é espírito danado, padecendo nas quintas do inferno que nem mesmo a visão mais horripilante de um Hieronymus Bosch conseguiria representar), aliciara deus e todo mundo pra convencer os brasileiros que não existia nenhum petróleo por estas bandas. Quatro anos depois da assinatura da 2004, uma Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara dos Deputados, comprovara que “O Estado de São Paulo”, “O Globo” e “Correio da Manhã” foram bem remunerados pela publicidade estrangeira para moverem campanhas - contra - a nacionalização do petróleo. --- Parece ontem porque a luta continua ainda hoje, como recorda Fernando Brito: . E Brito grifa: “liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas”… --- Quanta traição, quanta desonra na ação destes individuos civis e militares que não merecem a cidadania brasileira nem o nosso respeito; que juraram de servir ao Brasil... --- E já que estamos falamos da Lei 2004 pensem no dano que um general como o Eurico Gaspar Dutra, insignificante intelectualmente, moralmente e fisicamente, causou e ainda causa ao Brasil. Um cara tão desprezível que nem merece ser representado nos horrores das telas do Bosch.

·  Em 05/10/2013, Clovis escreveu:

Isso lembra o que foi comprovado neste ano, após a liberação de documentos até então secretos do governo britânico. A Espanha não entrou na Segunda Guerra (ao lado dos nazistas) porque os principais generais de Franco foram literalmente comprados pelo serviço secreto inglês.

·  Em 06/10/2013, Carlos escreveu:

Mas isso era lógico. E depois venderam o Brasil para os EUA.

·  Em 06/10/2013, Maués escreveu:

Não devemos confundir nem generalizar, a cúpula militar desfechou o golpe a soldo dos mandatários capitalistas, a base da oficialidade cumpriu ordens sem saber os reais objetivos da quartelada. Aos que estão enraivecidos com o corajoso depoimento do major Erimar, eu lembro que: contra fatos não há argumentos!

·  Em 06/10/2013, Fernando escreveu:

Fico realmente impressionado que depois passados tantos anos e com tantos livros publicados pela direita e também pela esquerda, que as pessoas parecem não ter qualquer capacidade de discernimento para entender, apesar das provas contundentes que estão aí que o golpe militar de 64 assim como os demais golpes ocorridos na américa latina forma todos uma iniciativa dos norte-americanos no sentido de "impedir ou evitar" que o comunismo ou o "MAL CUBANO" se espalhassem por aqui, mas que na verdade esta era uma iniciativa para que eles simplesmente ampliassem enormemente o seu poderio econômico e financeiro. Os norte-americanos sempre viveram a ainda vivem explorando a tudo e a todos, mas antes da segunda guerra era um país como outro qualquer, sem eira nem beira. Este é um assunto muito amplo, entretanto meu caríssimo Mario Augusto, mais uma vez parabéns pela matéria. A corrupção campeia em todo o poder. Talvez poderíamos citar num primeiro momento dois presidentes que sobreviveram ilesos a este ataque: Allende e agora nosso Jose "Pepe" Mujica, o resto é o resto!

·  Em 07/10/2013, Eliseu Leão escreveu:

Confirmando o leitor Fernando --- «Numa reunião de embaixadores da America Latina, em 1950, George Kennan disse que a maior preocupação dos EUA é com ''a proteção das nossas (isto é, da A.Latina) matérias-primas. Devemos combater a heresia que está se espalhando: a idéia de que um governo tem responsabilidade direta pelo bem do povo. Isso é comunismo, seja qual for o lado politico dos que a defendem. Essa gente pode formar grupos de auto-ajuda, baseados na Igreja, ou coisas desse tipo, mas se eles apoiarem tal heresia, são comunistas.» Pau neles. E explicou como agir: «... repressão policial dura do governo local. Isso não é vergonhoso, porque os comunistas são essencialmente traidores... É melhor ter um regime forte no poder do que um governo liberal, indulgente e infiltrado de hereges.» Os resultados dos estudos de uma Comissão de alto nível constatava, em 1955, que a ameaça principal da ideologia comunista era a recusa em exercer papel serviçal, isto é, o de complementar as economias industriais do Ocidente. (Noam Chomsky).

·  Em 13/10/2013, Nilson Lage escreveu:

Na década de 1950, em meu primeiro ano como repórter do Diário Carioca, o fotógrafo que fazia par comigo, Veneziano, registrou a confraternização desse general, então chefe de polícia no Rio de Janeiro, com famoso bicheiro num bar da Praça Mauá A foto não foi publicada, mas alguém faturou, tanto que o Veneziano ganhou uma gratificação.

·  Em 13/10/2013, diogo alvares fanck escreveu:

Fernando disse , EUA era uma país sem eira nem beira, quanto desconhecimento, nesta época os EUA já tinham mais automóveis que todo o resto do planeta juntos, idem para aviões, eletrodomésticos, já detinham mais da metade de todas novas descobertas nas mais diversas áreas (vide Nobeis), tanto que quando entraram na 2 guerra colocaram toda esta forca industrial voltada para dar suporte aos seus soldados e aliados no Front Europeu. Capacidade de abastecimento numa tal quantidade e qualidade que assombrou o mundo, a verdade é esta , o resto é desculpa de quem não conseguiu se desenvolver!!!!.