quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Ana Amélia foi CC do marido no Senado enquanto era diretora da RBS

Vergonha aos Gaúch@s !!!

 | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Senadora no comício da campanha no Gigantinho, em Porto Alegre| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Da Redação
A senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS) foi Cargo em Comissão (CC) do próprio marido, já falecido, o senador biônico Octávio Omar Cardoso, em 1986, acumulando essa função com o cargo de diretora da Sucursal do Grupo RBS, em Brasília. A portaria nº 256, de 9 de junho de 1986, assinada pelo então Primeiro-Secretário do Senado, senador Enéas Faria, designou Ana Amélia de Lemos “para exercer a função de Secretária Parlamentar, do gabinete do vice-líder do Partido Democrático Social, Senador Octávio Cardoso, a partir de 1º de abril do corrente ano”.

Portaria de nomeação da  hoje senadora Ana Amélia Lemos em cargos em comissão do Senado
Portaria de nomeação da hoje senadora Ana Amélia Lemos em cargos em comissão do Senado
Segundo Ato da Comissão Diretora do Senado nº12, de 1978, a função de Secretária Parlamentar exercida pela então jornalista tinha como tarefa prestar “apoio administrativo ao titular do Gabinete, preparar e expedir sua correspondência, atender as partes que solicitam audiência, executar trabalhos datilográficos, realizar pesquisas, acompanhar junto às repartições públicas assuntos de interesse do Parlamentar e desempenhar outras atividades peculiares à função”.
Pelo exercício dessas funções, o ato em questão definia o salário mensal de Cr$ 9 mil, (cerca de R$ 8.115,00 em valores atualizados), sujeito o contratado ao regime de 40 horas semanais de trabalho, sendo de 8 horas a jornada diária, devendo a frequência ser atestada, quinzenalmente, pelo titular do Gabinete.
Normas do exercício da função de secretário parlamentar de Gabinete de senador
Normas do exercício da função de secretário parlamentar de Gabinete de senador
Na época, Ana Amélia era diretora da sucursal da RBS, em Brasília, assinando uma coluna no jornal Zero Hora. A jornalista mudou-se para Brasília em 1979, acompanhando seu então marido Octávio Omar Cardoso, suplente do senador biônico Tarso Dutra (falecido em 1983), que foi efetivado no cargo em 1983, exercendo-o até 1987. Na capital federal atuou como repórter e colunista do jornal Zero Hora, da RBS TV, do Canal Rural e da rádio Gaúcha. Em 1982, foi promovida à diretora da Sucursal em Brasília.
As preocupações com a informática cópia1
Coluna de Ana Amélia no dia 09/06/1986

No dia em que a portaria de nomeação era publicada (09/06/1986), Ana Amélia Lemos assinava sua coluna no jornal Zero Hora, com o título principal: “As preocupações da informática”.

Moralidade cópia (1)
Editorial de ZH em 09/06/1986
Neste mesmo dia, um editorial de ZH defendia a moralidade nas nomeações de cargos públicos.
“A obrigatoriedade do concurso para provimento efetivo de cargos públicos é constantemente ignorada pela política do nepotismo, do apadrinhamento e do favorecimento”, afirmava então o editorial do jornal.

Em outra coluna, de 11 de abril de 1986, a jornalista comentou “a repercussão crítica feita pelo senador Octávio Cardoso ao presidente do Senado, José Fragelli, que desrespeitando acordo de lideranças sobre encerramento de atividades do Senado no dia do jogo Brasil-Argélia apareceu na TV como se fosse o único senador presente naquele dia em Brasília”.
Quase um ano depois da nomeação, em 17 de março de 1987, a Diretoria da Subsecretaria de Administração de Pessoal do Senado convocou Ana Amélia e um grupo de servidores que exerciam a função de Secretário Parlamentar “a fim de formalizarem a rescisão contratual”. Três dias depois, em 20 de março de 1987, os servidores em questão foram novamente convocados, por edital, publicado no Diário do Congresso Nacional,do dia 17 de Março de 1987, para, num prazo de três dias úteis, formalizarem a rescisão.

Edital de convocação para rescisão contratual
Edital de convocação para rescisão contratual


A reportagem do Sul21 procurou contato com a senadora Ana Amélia Lemos, por intermédio de sua assessoria de imprensa, na tarde desta quinta-feira (11), em várias oportunidades, para que ela confirmasse os dados apurados. No início da noite, a assessoria informou que ela estivera em atividades de campanha  e não teria tido intervalo em sua agenda para tratar do tema.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Isso você não verá em reportagem da Veja: Na eleição de 2010, a campanha da candidata ao Senado Ana Amélia-PP/RS recebeu dinheiro de doleiro preso pela PF

      Hoje vi o estardalhaço que o P.I.G esta fazendo com a "entrevista" da contadora do doleiro criminoso.
     Será que ela falará tudo?
     Será que a contadora explicará como o dinheiro do doleiro veio parar na conta de campanha, financiando a eleição da candidata do PP do RS ao senado em 2010?
















terça-feira, 5 de agosto de 2014

PSDB E MÍDIA INAUGURAM EM 2014 NOVA ESTRATÉGIA ELEITORAL CONTRA O PT

terça-feira, 15 de julho de 2014

Copa das Copas: No balanço da Copa, governo destaca superação de desafios e ataca pessimismo

Número de turistas ultrapassou 1 milhão, 16,7 milhões passaram pelos aeroportos, mais de 3,42 milhões foram aos estádios e Brasil só fracassou no campo, ao perder de 7 x 1 da Alemanha

O Brasil recebeu durante a Copa do Mundo 1.015.035 turistas estrangeiros e 3.065.397 brasileiros se deslocaram pelo país durante a realização da competição. Os aeroportos registraram a passagem de 16,7 milhões de passageiros. “Os prognósticos eram os mais terríveis: não vai ter Copa e vai ser a Copa do caos. Os estádios não ficariam prontos, não teríamos aeroportos e não teríamos a capacidade de receber os turistas. Nós derrotamos essa previsão pessimista e realizamos, com a imensa contribuição do povo, a Copa das copas”, disse a presidenta Dilma Rousseff hoje (14), em evento em que, com representantes de 16 ministérios, o governo federal apresentou o balanço da competição, realizada entre 12 de junho e ontem.
A presidenta comentou a desclassificação diante da Alemanha na semifinal, quando a seleção brasileira sofreu a maior derrota de sua história, por 7 x 1. “Acredito que tudo é superação. A derrota é a mãe de todas as vitórias”, afirmou. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, avaliou que a seleção “tem todas as condições de se recuperar dessa tragédia futebolística.”
O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, também comentou a partida. “Perdemos a taça, mas o Brasil ganhou a Copa”, declarou, sobre o sucesso com que o governo encara a organização e realização do evento. Segundo ele, dados indicam que cerca de 95% dos estrangeiros que vieram ao Brasil pretendem voltar no futuro. O total de público superou os 3,42 milhões nos estádios.
O governo considera que uma das vitórias mais importantes foi a eficiência do sistema de energia do país, que não registrou nenhum incidente no fornecimento aos estádios na realização das partidas. O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, informou que houve 200 obras de grande porte para garantir a segurança energética.
Outro ponto considerado fundamental para a boa avaliação da Copa no Brasil por participantes e imprensa estrangeiros, comemorado pelo Planalto, foi o bem-sucedido funcionamento do sistema de transmissão e mídia durante a competição. A Telebrás montou uma rede de 15 mil quilômetros de fibras óticas nos locais onde foram necessárias para a transmissão dos jogos. “Tivemos 517 horas de transmissão, sem interrupções”, festejou Paulo Bernardo, ministro das Comunicações. Segundo ele, o Facebook registrou mais de 3 bilhões de interações sobre a Copa. “Foi o maior evento de redes sociais do planeta.”
De acordo com o balanço, 64% dos ingressos da Copa foram utilizados por brasileiros e 36% pelos estrangeiros. O ministro do Turismo, Vinicius Lages, afirmou que os dados levantados pela pasta dão conta de que 83% dos turistas estrangeiros consultados reconhecem que suas expectativas foram plenamente atendidas e 98,1% avaliaram a hospitalidade positivamente. A segurança pública teve avaliação positiva de 92%, enquanto 90% consideraram positiva a informação turística e 89% aprovaram o transporte público.
Segundo o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o planejamento foi o principal responsável pelo sucesso da segurança. “Começamos a planejar em agosto de 2011.” Ele disse que foram criadas unidades regionais de comando. O planejamento foi baseado em experiências internacionais. Cardozo afirmou que foram investidos R$ 1,113 bi em segurança. "Desses, R$ 900 milhões foram para os estados e o restante para as forças de segurança."
Durante o torneio, atuaram 116.579 homens e mulheres, sem contar as Forças Armadas. No total, o contingente foi de 177 mil homens, fora forças de contingência, que poderiam entrar em ação em situações especiais, o que não foi necessário.
Para Cardozo, o principal legado é a integração entre as forças. “Rompemos a cultura de isolacionismo dos órgãos de segurança do país. Quando todos se sentaram, iniciamos um momento histórico, de romper com esse isolacionismo  causado por questões políticas e corporativas. Iniciamos uma mudança de mentalidade.”
Celso Amorim, ministro da Defesa, foi outro que comemorou a integração. “Se pudesse resumir em uma palavra, é integração, em todos os níveis, federal, estadual e quando necessário também o municipal.”
Segundo o governo, durante cada jogo havia nos céus dois aviões Super Tucanos, um F5 e dois aviões radares. Em cada cidade marítima, uma fragata ou uma corveta ou equivalentes.
Para o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Moreira Franco, o país realizou “o maior investimento em estrutura aeroportuária que o Brasil já viu”. Segundo ele, o período da Copa registrou índice médio de atraso de 7,46 minutos.
O sucesso no atendimento médico foi comemorado pelo ministro da Saúde, Arthur Chioro. Os dados mostram que houve “apenas” 17.042 atendimentos de saúde relacionados à Copa , 7.055 nas arenas, a grande parte casos muito simples. Dos casos nos estádios, 97,3% foram resolvidos nos locais. Foram 613 remoções. “Apenas 0,2% dos turistas necessitaram de atendimento. As estatísticas dão conta de que em média esse número varia de 1% a 2%”, disse Chioro. “Brasil sai muito mais qualificado para trabalhar com eventos de massa.”

Polícia Federal confirma abertura de inquérito contra sonegação da Rede Globo!

Os crimes financeiros da TV Globo nas Ilhas Virges Britânicas foram identificados inicialmente por uma agência de cooperação internacional. A TV Globo usou uma empresa laranja para adquirir, sem pagar impostos, os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002

Agora já temos um número e um delegado responsável. É o inquérito 926 / 2013, e será conduzido pelo delegado federal Rubens Lyra.
O chefe da Delegacia Fazendária da Polícia Federal do Rio de Janeiro, Fabio Ricardo Ciavolih Mota, confirmou à comitiva do Barão de Itararé-RJ que o visitou hoje: o inquérito policial contra os crimes fiscais e financeiros da TV Globo, ocorridos em 2002, foi efetivamente instaurado.
Os crimes financeiros da TV Globo nas Ilhas Virges Britânicas foram identificados inicialmente por uma agência de cooperação internacional. A TV Globo usou uma empresa laranja para adquirir, sem pagar impostos, os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002.
A agência enviou sua descoberta ao Ministério Público do Brasil, que por sua vez encaminhou o caso à Receita Federal. Os auditores fiscais fizeram uma apuração rigorosa e detectaram graves crimes contra o fisco, aplicando cobrança de multas e juros que, somados à dívida fiscal, totalizavam R$ 615 milhões em 2006. Hoje esse valor já ultrapassa R$ 1 bilhão.
Em seguida, houve um agravante. Os documentos do processo foram roubados. Achou-se uma culpada, uma servidora da Receita, que foi presa, mas, defendida por um dos escritórios de advocacia mais caros do país, foi solta, após conseguir um habeas corpus de Gilmar Mendes.
Em países desenvolvidos, um caso desses estaria sendo investigado por toda a grande imprensa. Aqui no Brasil, a imprensa se cala. Há um silêncio bizarro sobre tudo que diz respeito à Globo, como se fosse um tema tabu nos grandes meios de comunicação.
Um ministro comprar uma tapioca com cartão corporativo é manchete de jornal. Um caso cabeludo de sonegação de impostos, envolvendo mais de R$ 1 bilhão, seguido do roubo do processo, é abafado por uma mídia que parece ter perdido o bonde da história.
Nas “jornadas de junho”, um grito ecoou por todo o país. Foi talvez a frase mais cantada pelos jovens que marchavam nas ruas: “A verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura”.
A frase tem um sentido histórico. É como se a sociedade tivesse dito: a democracia voltou; agora elegemos nossos presidentes, governadores e prefeitos por voto direto; chegou a hora de acertar as contas com quem nos traiu, com quem traiu a nossa democracia, e ajudou a criar os obstáculos que impediram a juventude brasileira de ter vivido as alegrias e liberdades dos anos 60 e 70.
O Brasil ainda deve isso a si mesmo. Este ano, faz cinquenta anos que ocorreu um golpe de Estado, que instaurou um longo pesadelo totalitário no país. A nossa mídia, contudo, que hoje se traveste de paladina dos valores democráticos, esquece que foi justamente ela a principal assassina dos valores democráticos. E através de uma campanha sórdida e mentirosa, que enganou milhões de brasileiros, descreveu o golpe de 64 como um movimento democrático, como uma volta à democracia!
A ditadura enriqueceu a Globo, transformou os Marinho na família mais rica do país. E mesmo assim, eles patrocinam esquemas mafiosos de sonegação de imposto?
O caso da sonegação da Globo é emblemático, e deve ser usado como exemplo didático. Se o Brasil quiser combater a corrupção, terá que combater também a sonegação de impostos. Se estamos numa democracia, a família mais rica no país não pode ser tratada diferentemente de nenhuma outra. Se um brasileiro comum cometer uma fraude fiscal milionária e for pego pela Receita, será preso sem piedade, e seu caso será exposto publicamente.
Por que a Globo é diferente? A sonegação da Globo deve ser exposta publicamente, porque é uma empresa que sempre viveu de recursos públicos, é uma concessão pública, e se tornou um império midiático e financeiro após apoiar um golpe político que derrubou um governo eleito – uma ação pública, portanto.
Esperamos que a Polícia Federal cumpra sua função democrática de zelar pelo interesse público nacional. E esperamos também que as Comissões da Verdade passem a investigar com mais profundidade a participação das empresas de mídia nas atrocidades políticas que o Brasil testemunhou durante e depois do golpe de 64. Até porque sabemos que a Globo continuou a praticar golpes midiáticos mesmo após a redemocratização, recusando-se a dar visilidade (e mentindo e distorcendo) às passeatas em prol de eleições diretas, manipulando debates presidenciais e, mais recentemente, tentando chancelar a farsa de um candidato (o episódio da bolinha de papel).
O Brasil se cansou de ser enganado e, mais ainda, cansou de dar dinheiro àquele que o engana. Se a Globo cometeu um grave crime contra o fisco, como é possível que continue recebendo bilhões em recursos públicos?

Propriedade:  http://www.ocafezinho.com/2014/01/27/policia-federal-confirma-abertura-de-inquerito-contra-sonegacao-da-globo/#sthash.ag9bUsva.dpuf

terça-feira, 17 de junho de 2014

PARTICIPAÇÃO: DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS

Estranha que esses mesmos setores não reajam da mesma forma quando se trata da participação de entidades empresariais na gestão do Estado, que circulam por todo o país dizendo como governantes devem administrar, ou mesmo da participação direta de empresários na gestão pública, como no caso federal recentemente. Para estes, não é preciso leis, decretos ou qualquer outra formalidade. É da participação do povo que têm medo e, para impedi-la, todo tipo de alegação é “válida”.

Nossa Constituição já prevê a participação direta da cidadania. E mesmo organismos internacionais, como o Banco Mundial, recomendam esse método para definição de investimentos públicos. Que fique claro: a participação de entidades empresariais, centrais sindicais, movimentos sociais e da sociedade é bom para o Brasil. Quanto mais democracia, melhor. Vejamos o exemplo positivo do RS, que tem Conselhão, Gabinete Digital, Consulta Popular, Coredes, OP, todos em harmonia com os poderes.

Os que reagem a esta medida não são aqueles que estão ampliando seu direito de participar, que debatem e definem uma política pública. São exatamente aqueles que desejam manter seus canais privilegiados de poder, centralizados, concentrados, os representantes de grandes interesses econômicos e políticos. São os que têm medo da democracia e da maioria, aqueles que não querem permitir a ampliação da cidadania e do protagonismo social na gestão do Estado.

As manifestações de junho de 2013 em todo o país evidenciaram a vontade de participação da sociedade, de ser ouvida pelos governos não apenas nas eleições. A ampliação da participação faz bem à democracia brasileira e aqui no Rio Grande sabemos o seu valor para o nosso desenvolvimento econômico, social e ambiental.
Secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social-RS
MARCELO DANÉRIS

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Marco Aurélio Garcia (PT) defende pressão popular pela revisão da Lei da Anistia


Práticas como a tortura ainda são utilizadas como método de investigação policial, diz GarciaO assessor especial da presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia (PT), é a favor de uma mobilização popular para pressionar o debate pela revisão da Lei da Anistia 
Ele foi o responsável pelo documento, resultante do último encontro nacional do PT, que propõe mudanças na legislação. 
Garcia – cujo cargo no Executivo federal tem status equivalente ao de ministro – é um dos quadros mais influentes dentro do partido, inclusive no Rio Grande do Sul. Ele participa do governo federal desde que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu em seu primeiro mandato. 
Na gestão da presidente Dilma Rousseff (PT), teve que tratar de assuntos espinhosos, como, por exemplo, o caso de espionagem do serviço secreto norte-americano sobre as instituições e os governantes brasileiros, incluindo a própria chefe do Executivo. 
Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, Garcia também aborda os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade. Além disso, avalia os protestos de junho de 2013 e os atuais protestos contra a Copa do Mundo no Brasil, projetando até que ponto eles podem interferir nas eleições deste ano. O petista esteve no Rio Grande do Sul para tratar das articulações da campanha do governador Tarso Genro (PT) à reeleição.
Jornal do Comércio – Quais os principais entraves para que seja realmente feita a revisão da Lei da Anistia? 
Marco Aurélio Garcia – Existem duas possibilidades de a Lei da Anistia ser mudada. Uma delas é que o Congresso Nacional anule a lei atual e promova outra. A segunda possibilidade é de que a questão seja reapresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF), como foi há alguns anos quando a considerou legal. Se o STF revisasse aquela decisão, na qual ele considerava pertinente a Lei da Anistia, daí, então, esse ponto estaria aberto. Não é uma questão que o Executivo possa decidir e, inclusive, muitos setores do Executivo têm opinião contrária. 
JC – Embora não seja o Executivo que possa resolver esse impasse, através das articulações com o Legislativo, pode-se levar essa questão adiante.
Garcia – A resolução dessa questão está nas mãos do Congresso Nacional ou do STF. Mas, evidentemente, também está condicionada à pressão da sociedade. É claro que o governo tomou iniciativas extremamente meritórias, como a Comissão Nacional da Verdade. Aliás, a própria presidenta Dilma Rousseff, quando lançou a comissão, fez questão de mencionar que governos anteriores também participaram desse esforço de reestabelecimento da verdade no País. Na cerimônia de abertura dos trabalhos, estiveram presentes os ex-presidentes José Sarney (PMDB), Fernando Collor de Mello (hoje PTB), Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Lula (PT). Com isso, a presidenta queria dizer que ela se colocava na esteira de uma série de iniciativas que tinham sido tomadas no passado para passar a limpo o período ditatorial.
JC – A Comissão Nacional da Verdade serve como um mecanismo de pressão popular para catalisar a revisão da Lei da Anistia?
Garcia – Ela pode alimentar uma pressão popular, mas a comissão tem limites que devem ser entendidos. E não me refiro aos limites institucionais, são limites históricos, objetivos. Não dá para obrigar as pessoas a contar o que fizeram. Além disso, muitas pessoas morreram, tanto vítimas quanto algozes. Mesmo assim, a comissão tem desempenhado um trabalho extremamente meritório. O esclarecimento da morte do (ex-deputado) Rubens Paiva é um grande exemplo disso. As descobertas ensejaram, entre outras coisas, uma ação judicial que vai se transformar num caso jurídico, porque, na medida em que o juiz aceitou a denúncia contra os supostos responsáveis pelo assassinato, esse tema vai chegar em algum momento ao STF de novo e, provavelmente, vai provocar uma resolução. Além disso, suscita uma discussão política, filosófica, jurídica muito importante no País, ligada à questão da prescrição ou não dos crimes de violação dos direitos humanos. Isso tem que se transformar num tema nacional. Estamos aqui preocupados em detectar responsabilidades, tentar entender por que se chegou a isso, mas, sobretudo, fixar uma perspectiva histórica de “nunca mais”. Afinal, certas práticas – como a tortura – ainda são utilizadas como método de investigação policial de um modo generalizado no País, embora menos que em outras épocas talvez. Sabemos também que esses procedimentos são usados na sua imensa maioria contra pobres e negros. O assunto ganhou certa importância porque, durante a ditadura, começaram a torturar os filhos da classe média que fizeram a opção pelo enfrentamento ao regime e, às vezes, nem isso. 
JC – Como proceder para terminar com a prática de tortura pela polícia?
Garcia – Em primeiro lugar, com transparência. Segundo, não é um problema setorial, mas da democracia em geral. Uma sociedade democrática garante que o monopólio da violência esteja nas mãos do Estado, e não seja utilizado de forma arbitrária, sobretudo contra os pobres. Fizemos grandes revoluções no Brasil em termos de igualdade, temos um avanço espetacular na redução da miséria absoluta, da pobreza, dos padrões socioeconômicos. Mas a igualdade é mais do que isso. É necessário ter políticas específicas para as mulheres, que são vítimas de violência cotidiana, civil; para os negros, sobretudo num país de população majoritariamente negra ou parda; para os homossexuais. Os governos Lula e Dilma têm dado uma ênfase muito grande nisso, dando um peso institucional maior aos ministérios que trataram das questões da liberdade e dos direitos civis, seja dos direitos humanos, seja das mulheres, seja dos negros. No entanto, a questão é mais complexa e envolve uma imprensa que fale sobre os direitos humanos, manifestações culturais.  
JC – O que mudou na relação entre Brasil e Estados Unidos depois que o governo brasileiro tomou conhecimento da espionagem que o serviço secreto norte-americano realizava no Brasil? 
Garcia – Os Estados Unidos e o Brasil são dois países importantes e, por mais dificuldades que tenhamos, vamos continuar nos relacionando. Nunca esteve em cogitação da nossa parte uma ruptura de relações ou esfriamento. Mas o calor da relação entre os dois países diminuiu, pois está ligado à confiança recíproca que os governos têm. Tivemos um abalo de confiança, não há dúvidas, os próprios americanos reconhecem isso. Foram denúncias gravíssimas, que não foram desmentidas, nem oferecidas explicações, nem apresentadas medidas corretivas, nem um pedido de desculpas. O presidente (dos Estados Unidos) Barack Obama fez um pronunciamento que foi um avanço em relação à situação anterior. Mas esse não é um problema do Brasil com os Estados Unidos, é um problema dos cidadãos norte-americanos com o governo norte-americano. É um problema para quem avaliza esse tipo de atividades, sobretudo, num país que pretende ser um paradigma democrático.
JC – Qual a avaliação que o senhor faz da CPI da Petrobras? 
Garcia – As irregularidades estão averiguadas. Em um primeiro momento, de forma independente pela Polícia Federal, que, apesar de ser um órgão do poder Executivo, tem mostrado uma independência extraordinária, inclusive chegando ao ponto de divulgar documentos publicamente sem que possa haver o contraditório. Em segundo lugar, isso também será objeto de investigação do poder Judiciário. A criação de uma CPI pode ajudar? Pode. Acho que o objetivo fundamental da proposta de criação da CPI foi um motivo político, de desgaste do governo, e a oposição está exercendo seu papel ao fazer isso. O governo não tem como ocultar essas questões, e a prova é que todas as denúncias no caso da Petrobras foram feitas por organismos do próprio governo. 
JC – A questão do julgamento do mensalão desgastou de alguma maneira a relação do Executivo com o Judiciário?
Garcia – Não, não, porque não foi o Executivo que estava em questão. Não havia ninguém do Executivo sendo processado ali. Envolveu pessoas que foram do governo. Poderia dizer que criou uma tensão com o PT e outros partidos. E, entre outras coisas, houve questionamentos sobre algumas práticas utilizadas no processo do julgamento. Da mesma forma que parte da sociedade se mobilizou por uma aceleração do processo político, houve setores que ficaram escandalizados com certos supostos jurídicos utilizados no julgamento, como por exemplo a teoria do domínio do fato. 
JC – Como o governo avalia os protestos que estão acontecendo, contra a Copa do Mundo, contra a execução das obras, os recursos, etc. 
Garcia – Fizemos uma mudança muito grande no País, governo e sociedade; sem a participação da sociedade, essas mudanças não seriam possíveis. Essas mudanças alteraram de forma substantiva a condição socioeconômica das pessoas, as rendas, os salários, o pleno emprego. No entanto, esses setores que ascenderam e outros que já estavam em melhor condição se deram conta de que o problema da desigualdade no País não é um problema que passa só pela questão socioeconômica. Alguns problemas se agravaram pela ampliação da renda, por exemplo, o transporte aeroviário. Em um determinado momento, os aeroportos ficaram incapazes de acolher uma nova leva de passageiros que veio das rodoviárias. Além disso, tem a questão do sistema de transporte ruim, das escolas, da saúde, que apesar de todas as melhorias, ainda está muito aquém das demandas. E as demandas aumentaram o seu patamar. 
JC – Acredita que as manifestações vão ter algum peso nas eleições deste ano? O que o senhor acha que mudou no governo e na oposição com os protestos?
Garcia – Na oposição, acho que não mudou nada. Ela não entendeu nada do que aconteceu no País, porque o principal candidato da oposição (Aécio Neves, PSDB) está propondo uma agenda regressiva, uma agenda pré-Lula e, se ele não é mais explícito, é porque se deu conta que está pegando mal. Está propondo que pleno emprego não é bom, salário-mínimo está muito alto, Bolsa Família é bolsa-esmola etc. Só sabe falar das medidas amargas. O outro candidato está num zigue-zague (Eduardo Campos, PSB): fala com os empresários e sai entusiasmado pelas medidas amargas; depois, se dá conta que não vai longe com isso. 
JC – E o que o governo aprendeu com os protestos?
Garcia – O governo deu uma resposta imediata. Os cinco pactos da presidenta representam isso. Por exemplo, o pacto pela educação foi contemplado pela destinação dos recursos do pré-sal, que até aquele momento não havia sido decidida. O pacto pela saúde se traduziu no programa Mais Médicos que, agora, a oposição teve que parar de criticar, porque, mais de 80% da população o apoiam. O pacto pela mobilidade urbana produziu muitos resultados. Se não produziu mais, diria que, em vários casos foi pelo despreparo institucional de governos estaduais e municipais de assumir a elaboração de projetos que sejam capazes de viabilizar metrôs, Veículos Leves Sobre Trilhos. 
JC – O financiamento de empresas nas campanhas ainda gera debate. Como o senhor acha que isso vai impactar na política brasileira nas eleições? 
Garcia – Sou favorável ao financiamento público total das campanhas e quem é contra, de boa fé, vai se dar conta que vai sair mais barato. O Estado vai gastar menos dinheiro financiando os partidos do que permitindo que o financiamento seja feito por empresas, porque as empresas não financiam de graça. As empresas estão fazendo investimentos, supondo que vão recuperar esse dinheiro com obras futuras. Em segundo lugar, sou favorável também ao voto por lista, porque eu quero preservar não só as instituições, mas o meu partido.

Perfil

Marco Aurélio Garcia nasceu em Porto Alegre em 1941. Graduou-se na Faculdade de Direito e de Filosofia da Ufrgs. Tentou a carreira política quando era estudante: começou no grêmio estudantil do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, na década de 1950; foi eleito presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1961; e, em 1963, foi eleito suplente do vereador de Porto Alegre Lauro Haggemann, assumindo a vaga durante alguns meses em 1966. Era ligado ao Partido Comunista Brasileiro, no entanto, a vereança foi o último cargo eletivo que assumiu. Em 1967, saiu do País para fazer pós-graduação na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, na França. Em 1969, voltou ao Brasil, mas, por causa da repressão da militar (1964-1985), exilou-se durante nove anos – no Uruguai, no Chile e na França.  Ele participa do governo do PT, no governo federal, desde o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003. É assessor especial da presidência da República para assuntos internacionais.

ENTREVISTA ESPECIAL Notícia da edição impressa de 16/06/2014

Marcus Meneghetti

quarta-feira, 11 de junho de 2014

O IDH da RBS e a vida real: escolhas e omissões

 “O que está travando o crescimento do Estado”: essa é uma das chamadas de capa da edição dominical de Zero Hora (01/06/2014). O leitor desavisado se perguntará: a economia do Rio Grande do Sul está travada?

Zero Hora repete discurso da acomodação, defendido por Gerdau, e anuncia o seu próprio indicador que desconsidera o melhor desempenho da economia gaúcha nos últimos anos.
Zero Hora repete discurso da acomodação, defendido por Gerdau, e anuncia o seu próprio indicador que desconsidera o melhor desempenho da economia gaúcha nos últimos anos.
Longe disso, em 2013 cresceu acima da média nacional e os primeiros números de 2014 apontam na mesma direção. Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revisou os números que tinha divulgado sobre o crescimento da indústria gaúcha no passado.
Segundo o IBGE, a produção física industrial do Rio Grande do Sul cresceu 7,4% em 2013, número superior aos 6,8% que tinham sido anunciados anteriormente pelo instituto. O resultado significa que o RS cresceu mais do que o dobro dos Estados mais industrializados do país que, na ordem, são: São Paulo (2,3%), Minas Gerais (0,1%), Paraná (3,2%) e Rio de Janeiro (-0,3%)
O índice criado pela Zero Hora em parceria com a PUC-RS toma 2012 como o último ano da série calculada, desconsiderando o ótimo desempenho da economia do Estado em 2013 e nos primeiros meses de 2014. “Crescer ou se acomodar? Eis a questão” destaca o jornal em outro título, repetindo formulação feita dias atrás pelo empresário Jorge Gerdau, em uma entrevista publicada no mesmo jornal. Para Gerdau, o RS até vai bem, mas estaria “acomodado”. Na entrevista, entre outras coisas, Gerdau diz que “os gaúchos estão felizes, mas por acomodação”, o que ele qualifica como algo terrível:
“(…) O terrível é que, se você pergunta ao cidadão médio do Rio Grande do Sul, verá que ele está feliz. Não comparamos direito as coisas: se olharmos a logística de São Paulo e a nossa, é irritante. E como São Paulo fez? Com concessões [ao setor privado], mas nós as suspendemos”. Ao falar da “acomodação gaúcha”, o empresário também ironiza “o churrasquinho do final de semana e um baita desafio que é o Gre-Nal”, apontando-os como ingredientes dessa acomodação.
Após a entrevista de Gerdau, Zero Hora repete a dose e anuncia o seu próprio indicador que desconsidera o melhor desempenho da economia gaúcha nos últimos anos. Assim, apesar de estar crescendo acima da média nacional, a economia do Estado é apontada como “travada” e “acomodada”.
“Diante de uma grande massa de dados, você consegue tirar diferentes resultados, resultados bons e outros não tão bons”, comenta Flávio Fligenspan, professor do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Neste índice divulgado pela Zero Hora, se tomarmos o ano de 2008 para cá, observa Fligenspan, obtemos resultados diferentes dos anunciados. Por que 2008? É o ano do início da crise internacional e um período relevante para se fazer uma avaliação do desempenho da economia. Pois bem, se tomamos 2008 para cá, vemos pelos próprios números do IRS que o Rio Grande do Sul vem crescendo acima da média nacional e cresceu mais que São Paulo, o Estado mais industrializado do país. Zero Hora prefere fazer outro recorte temporal (entre 2005 e 2012) para justificar a tese do “travamento” e da “acomodação”.
Fligenspan também relativiza a tese defendida por ZH de que o Rio Grande do Sul tem perdido participação no PIB nacional. Todos os Estados que tinham economias mais pujantes tradicionalmente, como São Paulo e Rio Grande do Sul, perderam espaço na composição do PIB nacional em função do grande crescimento de Estados que eram mais pobres. Em uma nota divulgada na última sexta-feira (30), o governo gaúcho faz uma comparação entre o desempenho das indústrias do RS e do Ceará:
“O Rio Grande do Sul só foi superado pelo Ceará, cuja participação no total da indústria do Brasil é de apenas 1,4% e avançou 11,3% em 2013. A participação da indústria cearense no parque industrial brasileiro, porém, é quase residual, de 1,4%, o que reduz o impacto do crescimento, tanto em nível nacional quanto local. O Rio Grande do Sul, ao contrário, responde por 7,7% da indústria brasileira, o que torna o resultado de 2013 altamente significativo no contexto da economia gaúcha e do país”.
Segundo seus criadores, o IRS se diferencia de outros índices do gênero pelas seguintes características: “os dados são oficiais, de fácil acesso e de fácil compreensão; a fórmula é simples com foco na vida real: mede o impacto nas pessoas, não nas instituições ou no poder público”. A julgar pela formulação, para os elaboradores do IRS, instituições e poder público não fazem parte da vida real e não tem a ver com a vida das pessoas.
As escolhas feitas pelos últimos governos, que integram a faixa temporal recortada pelo índice da RBS, tampouco parecem fazer parte da vida real, já que não são consideradas muito menos analisadas numa pesquisa que pretende fazer um raio-x do desenvolvimento humano no Estado. O governo de Yeda Crusius, por exemplo, prometeu colocar a economia do Rio Grande do Sul nos eixos com o déficit zero e um choque de gestão. Essas escolhas, que foram apoiadas editorialmente por veículos da RBS, tiveram algo a ver com a vida das pessoas ou fizeram parte da vida real, influenciando os indicadores de desenvolvimento humano do Estado?
 Marco Weissheimer