sexta-feira, 13 de abril de 2018

A cadela do Jango

Ontem, no caminho para o trabalho, como de costume, eu ouvia uma rádio aqui de Uruguaiana. O radialista falava sobre a questão da posse territorial de uma das ilhas que existem no Rio Uruguai, se ela era da Argentina ou do Brasil. De repente, ele lembra de uma história sobre uma das ilhas e relata, diga-se, com muito orgulho, uma história que aconteceu há uns anos e envolvia uma das ilhas.
Dizia ele que, nos anos 60, um produtor rural, aqui de Uruguaiana, tinha planos de plantar arroz numa das ilhas do rio. Tão logo esse produtor soube que o presidente Jango estaria em São Borja, de pronto foi falar com ele para solicitar a autorização para plantar, afinal, a ilha era um território federal, ou seja, de todos os brasileiros.
Chegando em São Borja, o produtor foi para a fazenda em que Jango estava. Lá o produtor viu, no caminho até onde o presidente se encontrava, uma cadela com vários filhotes, deitada num galpão. Filhotes bonitos que prontamente chamaram a atenção do uruguaianense.
Ao falar com o presidente do país, o produtor uruguaianense lhe fez quatro pedidos:
Primeiro, disse que queria plantar arroz numa das ilhas do Rio Uruguai.
Segundo, que havia trazido um amigo repórter de Uruguaiana, e gostaria de saber se o presidente poderia conceder uma entrevista.
Em terceiro, que soube que um avião partiria de São Borja para Uruguaiana e, se fosse possível, gostaria de voltar de carona.
No fim, pediu um dos filhotes da cadela que havia visto no galpão.
Jango disse o seguinte. Que em relação ao plantio de arroz na ilha, não haveria problemas, por sinal, disse que ele até nomearia o produtor rual como o “governador da ilha”. Nessa parte, eu não sei se foi um deboche do presidente ao intento do uruguaianense ou uma fala séria.
Depois, sobre o segundo pedido, disse que daria a entrevista, sem problemas. Com relação ao avião, disse que o produtor e seu amigo poderiam voltar de carona.
Agora, sobre o filhote da cadela, Jango negou e disse ao caudilho uruguaianense que, se desse um dos filhotes, teria sérios problemas com a sua esposa. A cadela não era de Jango, mas de sua esposa e sobre isso não havia o que pudesse fazer. A resposta era NÃO.
Em seguida, Jango disse ao uruguaianense e seu amigo para que ficassem para comer, prevendo que o mesmo também pediria isso em breve.
Já no avião, na volta de São Borja, ouviu-se um choro, quase um grunhido. Eis que de dentro de um casaco surge uma cabeça de cachorro.
Era o uruguaianense que, mesmo depois de pedir uma ilha, depois conseguir uma entrevista, de voltar de carona e de ter comido de graça, ainda havia roubado um dos filhotes de seu anfitrião. Na rádio, todos riram, acharam uma história normal. No carro, eu fiquei horrorizado.
A cadela do Jango fala muito sobre a mentalidade de alguns ricos produtores rurais da fronteira oeste e campanha, e o pior, uma visão de mundo latifundiária que encontra eco naqueles que moram de aluguel. Eco nas rádios.
E o eco desse tipo de mentalidade diz para algumas pessoas que trancar entradas de cidades, como se suas propriedades fossem, para evitar a caravana do Lula é compreensível. Dar tiros em ônibus de ex-presidente é normal. Empunhar relhos dentro de universidades é bonito. Ocupar esquinas contra uma imaginária “ditadura do comunismo”, diga-se, que nunca houve no Brasil, e clamar pela real e dramática “ditadura militar” e a volta da tortura, é compreensível.
O eco diz que condenar alguém à revelia da constituição, se eu não gostar da pessoa, é aceitável.
A cadela do Jango deixa tudo compreensível, ela esteve no cio. A cadela do fascismo, segue no cio.

                                                  Texto traduzido por Roger Baigorra Machado (retirado do facce deste)

terça-feira, 10 de abril de 2018

Nunca mais, Moro, nunca mais


https://www.sul21.com.br/wp-content/uploads/2016/12/20161231-moro.jpg
Juiz Sérgio Moro . (Foto: Reprodução/Ustream/Wilson Center)

Tarso Genro (*)
Daquelas sílabas fatais
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: Nunca mais!
É uma parte do lúgubre e triste poema de Poe, “O Corvo”, com a fala soturna da desgraça, que arremessou o poeta para dor sem fim da perda. A perda, na “casa onde o Horror, o Horror profundo\ Tem seus ares triunfais.” É um poema do amor negado pela frieza da morte, mas que – como trata do triunfo da dor sobre a vida – também alerta para o fim de tudo que as frustrações da política podem alcançar. Lembra, com outras consequências, Moro advertindo Lula, em nome do Poder Judiciário em pleno processo de “exceção”, dizendo a ele – no Horror da democracia decadente – que tudo terminou: “Nunca mais, Lula, nunca mais!”.
Sustentado como herói pelo oligopólio da mídia, que instaurou um processo paralelo contra Lula, transformando o devido processo legal num duplo espetáculo – de condenação prévia e de imposição do espírito de manada às “classes altas” – o Juiz Moro promoveu um padrão novo para as instâncias de Justiça Penal no Brasil: fez da propaganda da necessidade de uma decisão final condenatória – mesmo sem provas – o sentido jurídico da condenação, o trunfo básico para a instauração do “Horror”. Para informar ao final, para Lula, que “Nunca mais” ouse colocar os pobres, os trabalhadores, os deserdados do capital, na mesa da democracia. Lula, como todos nós, tem limites, grandezas e defeitos, mas como agora está contrastado com o corvo judicial do “Nunca mais!”, o que ressalta é a sua grandeza histórica e o seu compromisso com o povo trabalhador, do qual ele é originário.
Pautado pela mídia Moro fez da sua instância inferior um “bunker”, que enquadrou, na sua visão de mundo e do Direito, as instâncias superiores, inclusive a maioria do STF, definindo o Direito a partir das externalidades do processo, não dele mesmo, com suas provas colhidas regularmente. Para quem não entendeu isso é um exemplo cabal da “exceção”, que – se não atingiu ainda todos os poros do Estado – conseguiu o consenso de uma parte significativa do Poder Judiciário e a simpatia de uma parte da população de média e alta renda.
Eliminar Lula da política, informar-lhe que “Nunca mais”, é a glória que Moro fez brilhar na Casa dos Horrores que se tornou o Brasil, a partir das motivações da maioria dos votos do Congresso corrupto, que cassou o mandato de Dilma, e da sua jurisdição invertida. Hoje ele apresenta-a como passaporte para os inimigos da democracia, para os caudatários das políticas da CIA, para os algozes dos direitos sociais e para os mascates baratos do pré-sal, mas isso não vai se eternizar. Moro comandou o Brasil neste período junto com o oligopólio da mídia, mas cometeu um grave erro: pensou que Lula era um cordeiro anestesiado para o sacrifício, sem entender o que é ser um verdadeiro filho do povo, que pode ter alguns períodos de deslumbramento com as suas vitórias, mas que não perde a essência das suas origens.
Lula está indo para a História sem sair do seu presente, mas Moro será lembrado, quando restaurarmos a plenitude da democracia e da Constituição de 88, como um lamentável artifício do autoritarismo, como uma peça do golpismo pós-moderno, como um juiz que foi forte na sua jurisdição, mas agindo fora dela – epígono da exceção – que se preparou para um momento de glória, mas que encontrou – no fim daquele lúgubre corredor midiático da hipnose fascista – um povo digno que ainda vai lhe dizer: “Nunca mais!”.
(*) Tarso Genro foi Governador do Estado do Rio Grande do Sul, prefeito de Porto Alegre, Ministro da Justiça, Ministro da Educação e Ministro das Relações Institucionais do Brasil.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Na ordem ilegal sobra desobediência civil


Ou eu não apreendi nada na faculdade de direito (e aí vou ter de pedir o dinheiro de volta) ou a ordem de prisão de Lula expedida por Moro é ilegal.
Começando que o processo foi inquisitorial, eminentemente politico, lastreado em denuncias de bandidos que tentavam salvar-se com delação premiada (na situação deles eles diriam e fariam o que MPF e Moro propusesse), ou seja, uma condenação fundamentada na prostituta das provas.
Ontem, Moro fechou a artimanha com chave de ouro e esta entregando a encomenda, quando manda prender Lula (que ainda esta sob manto de recurso na 2ª instância, sem que o fato concreto esteja sob o manto do instituto de transitado em jugado) com notório foco de impedir sua candidatura.
Nesse cenário, restam dois caminhos a Lula, um no STF com a aprovação da ADC (que a presidente Lúcia sorrateiramente têm impedido de ser apreciado pelo pleno) e o Habeas Corpus do PEN nas mãos do Ministro Marco Aurélio. O outro caminho é a desobediência civil, não cumprindo a ordem ilegal de Moro.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Nobel da Paz, argentino Adolfo Pérez Esquivel lança campanha para Lula receber o prêmio também


 
"Convido vocês a participar da campanha para que Lula receba o Prêmio Nobel da Paz por sua luta contra a pobreza e a desigualdade. Compartilho a carta de indicação que apresentarei ao Comitê Nobel Norueguês", escreveu no Twitter um dia após o Supremo Tribunal Federal ter rejeitado um pedido de habeas corpus e cassado a liminar que impede a prisão do petista na Lava Jato.
 
Na carta, Esquivel cita uma série de políticas públicas criadas durante o governo do ex-presidente para combater a desigualdade social, e alerta para o fato de que tais programas estão sendo abandonados progressivamente desde o golpe de 2016.
 
Abaixo, a carta original.
 
 
Al Comité Nobel Noruego
Presidenta Berit Reiss-Andersen
Vice Presidente Henrik Syse
Miembros: Thorbjørn Jagland, Anne Enger y Asle Toje.

Reciban el fraterno saludo de Paz y Bien.
S / D
Mediante esta carta, quiero presentar ante este Comité la candidatura al Premio Nobel de la Paz de Luiz Inácio “Lula” Da Silva, Ex Presidente de la República Federal de Brasil entre los años 2003 y 2010, quien a través de su compromiso social, sindical y político, desarrolló políticas públicas para superar el hambre y la pobreza en su país, uno de los de mayor desigualdad estructural en el mundo.
Como bien ustedes saben, la Paz no es sólo la ausencia de la guerra, ni evitar la muerte de una o muchas personas, la Paz también es dotar de esperanza de futuro a los pueblos, en especial a los sectores más vulnerables víctimas de la “cultura del descarte” de la que nos habla el Papa Francisco. La Paz es incluir y proteger a quienes este sistema económico condena a la muerte y a múltiples violencias. Según el último informe de 2017 de la Organización de las Naciones Unidas para la Alimentación y la Agricultura (FAO) el hambre afecta a más de 815 millones de personas en el mundo. Se trata de un flagelo y un crimen que sufren pueblos sometidos a la pobreza y marginalidad, a los que se les roba la vida y la esperanza por generaciones. Por esta razón, si un gobierno nacional se convierte en un ejemplo mundial de lucha contra la pobreza y la desigualdad, contra la violencia estructural que nos aqueja como humanidad, merece un reconocimiento por su aporte a la Paz en la humanidad.
“Lula” Da Silva tuvo como uno de sus ejes fundamentales de gobierno comprometerse junto a los pobres a implementar políticas públicas para superar el hambre y la pobreza. En enero de 2003, en su discurso de asunción de la Presidencia de la República dijo: “Vamos a crear las condiciones que todas las personas en nuestro país puedan comer decentemente tres veces al día, todos los días, sin necesidad de donaciones de nadie. Brasil ya no puede continuar conviviendo con tanta desigualdad. Necesitamos vencer al hambre, la miseria y la exclusión social. Nuestra guerra no es para matar a nadie: es para salvar vidas”. Y en efecto, los programas “Hambre Cero” y “Bolsa Familia” sacaron de la pobreza extrema a más de 30 millones de personas, convirtiendo a Brasil en un modelo exitoso mundialmente reconocido por organismos internacionales como la FAO, el Programa de Naciones Unidas para el Desarrollo (PNUD) y el Banco Mundial.
- El porcentaje de personas que vivían con menos de US$ 3,10 por día cayó del 11% en 2003 a cerca del 4% en 2012, de acuerdo a datos del Banco Mundial.
- Hubo una reducción de la tasa de desempleo cercana al 50% de acuerdo con el Instituto Brasileiro de Geografia y Estatística. Y una creación de 15 millones de nuevos puestos de trabajo de acuerdo a datos del Ministerio de Trabalho e Emprego.
- Según el Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), el coeficiente del Gini brasilero era de 0,583 en 2003, y en 2014 era de 0,518, lo que señala que las políticas sociales que llevaba el Partido dos Trabalhadores (PT) dejó un Brasil con menos desigualdad social, en promedio la desigualdad cayó 0,9% por año en el intervalo de tiempo 2003-2016.
- La implementación de programas de educación y salud pública elevaron el Índice de Desarrollo Humano (IDH) de Brasil elaborado por el PNUD que en 2010 llegó a US$ 10.607 dólares anuales de ingreso promedio, a una expectativa de vida de 72,9 años, a una escolaridad de 7,2 años de estudio, y a una expectativa de vida escolar de 13,8 años.
El gobierno de Lula fue una construcción democrática y participativa con medios no-violentos que elevó el nivel de vida de la población y dió esperanzas a los sectores más necesitados. El mundo reconoce que hubo un antes y un después en la historia del desigual Brasil luego de las dos presidencias de Luiz Inácio Da Silva. La contribución de “Lula” a la Paz está en los hechos concretos de la vida del pueblo brasileño, y reforzada por los estudios de diversos organismos internacionales.
Estos resultados de los programas de gobierno del PT en Brasil para superar la pobreza y el hambre, no fueron a una política de Estado continuada por otros partidos de gobierno sino una política de gobierno específica que Brasil está abandonando gradualmente. Así lo demuestra el Banco Interamericano de Desarrollo (BID), que anunció que en el año 2017 Brasil tuvo más de 3 millones de nuevos pobres por las políticas del actual gobierno.
Por estos motivos, con el mismo sentido de esperanza que transmitió Martin Luther King cuando dijo“si el mundo terminara mañana, yo igual voy a plantar mi manzano” , somos muchos los que creemos que el Premio Nobel de la Paz para “Lula” Da Silva ayudará a fortalecer la esperanza de poder seguir construyendo un nuevo amanecer para dignificar el árbol de la vida.
Adolfo Pérez Esquivel
Premio Nobel de la Paz 1980

https://jornalggn.com.br/noticia/nobel-da-paz-argentino-adolfo-perez-esquivel-lanca-campanha-para-lula-receber-o-premio-tambem

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

QUANDO CHEGA A HORA DE AGRADECER

No dia 21\03, quando o Lula aqui vier, vou estar lá para agradecer.
Faço isso, não pelo PROUNI, Minha Casa Minha Vida, SAMU ou tantos programas. Faço isso pela decisão de Lula em instalar em São Borja a UNIPAMPA e o INSTITUTO FEDERAL FARROUPILHA.
Hoje estou fora da vida pública e não pretendo voltar. Sou cidadão que tem imperfeições, convicções, verdades, virtudes e defeitos. Uma das virtudes que tenho, é a capacidade de reconhecer e agradecer!
Num passado não muito distante, tive a sorte de estar no tempo certo, com as pessoas corretas e ser partícipe da revolução que esta transformando nossa terra e região.
O tempo passa, mas esta latente na minha memória os fatos, atos e seus atores que deram forma a essa revolução. Sei, por óbvio, que esse cenário esta se perdendo no tempo por ações ou omissões veladas dos senhores feudais e seus asseclas, que labutam para apagar da história local o que Lula e seu governo fez por São Borja. Agem distorcendo atos e fatos para construir a “nova verdade”, sem pudor algum.
Como tenho compromisso somente com minha consciência, pretendo agradecer a Lula (agora aqui na terrinha) pelo que fez pela nossa terra, pelo futuro de milhares de jovens que teriam poucas perspectivas profissionais e por suas famílias.
Muitos não sabem, mas no primeiro governo de Lula, foi criado o programa de ampliação do ensino Universitário. Esse programa tinha objetivo de levar o ensino superior para os recantos pobres do Brasil. São Borja fazia parte da metade Sul do RS e área de extrema pobreza considerando o IDH (e ainda faz). Por essa diretriz, começamos a trabalhar (era vereador) junto com muit@s companheir@s abnegad@s. Importante lembrar que inicialmente houve movimento com a intenção de Federalizar a URCAMP. Embora respeitando essa opinião, me posicionei contrário pois sabia da situação falimentar que universidade vivia (tinha sido presidente do Diretório Acadêmico quando cursava Adm. de Empresas). Nós queríamos uma universidade nova e do “zero” e sem passivo.  Inseri-me ativamente nas articulações e formamos uma corrente aliados ao ministro Tarso (CEDES e depois Min. Educação). Tarso foi o grande mentor e coordenou o projeto junto com deputados Federais da base de apoio do governo e outros companheir@s.  No final das articulações, esta força politica coordenada por Tarso chegou no Lula. Lula se convenceu e bateu o martelo, dando a ordem para viabilizar o projeto da nova  universidade multi-campi. Importante ressaltar que o câmpus de São Borja, foi o primeiro a ter o terreno próprio (no bairro do Passo),  o primeiro câmpus a ter os recursos para as obras, o primeiro câmpus a iniciar as obras e o primeiro a inaugurar o seu câmpus próprio. Tudo por decisão de Lula.
No segundo governo de Lula, foi criado o programa para ampliar o ensino técnico no Brasil. Haveria a criação de dezenas de Institutos Federais.
São Borja, por ter a Unipampa, estava fora das possíveis cidades que seriam contempladas com os novos Institutos de ensino.
Depois de muito trabalho (era vice-prefeito), mobilizações e articulações politicas e técnicas, São Borja foi incluída e habilitada a ser uma das dezenas de cidades que tinham possibilidade de receber o IFF.
Mas, foi Lula que decidiu que nossa terra teria o IFF. Sua decisão foi uma escolha politica\técnica. Ele novamente bateu o martelo por São Borja.
Como a Unipampa estava no Passo, sugerimos ao então prefeito Mariovane Weiss que o Instituto Federal ficasse no outro extremo da cidade (o município habilitado teria de doar área para a construção do novo complexo educacional).
Importante lembrar, que vários homens e mulheres trabalharam juntos para que estes dois projetos contemplassem São Borja.
Além do Presidente Lula, merecem nosso reconhecimento e respeito Tarso Genro (ministro), Dep. Federal Henrique Fontana, Dep. Federal Paulo Pimenta, Dep. Federal Maria do Rosário, dep. Federal Bohn Gass, dep. Federal Orlando Disconsi, Dep. Federal Marco Maia, Eliezer Pacheco (Secretário Nacional de Ensino Técnico), Sen. Paim, dep. Estadual Stilac Xavier, Prefeito Mainardi, Felipe Muller (então pró-reitor executivo da UFSM  e após, Reitor),  Cezar Alvarez (Assessor Especial do Presidente Lula) e os Assessores do Min. da Educação Juliana Foernges, Márcio Souza e Carolina (não lembro o sobrenome) entre outros membros do governo.
Por isso, quando Lula vier, vou reverenciá-lo com a cordialidade e o agradecimento de cidadão que foi testemunha do que esse homem fez pela nossa terra.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

O ESTADO É IMPLACÁVEL COM OS "NÃO SEUS"...

Sei o que Lula esta passando pois já passei por isso (de forma bairrista). Sei como o sistema funciona.
Fui eleito vereador em 1996...em 1997 assumi como presidente da Câmara..... comecei a denunciar, combater e desmontar uma quadrilha formada por políticos, policiais, ex-políticos, operadores do direito, membro da mídia e empresários, que por décadas roubavam do povo de São Borja ou eram coniventes... eles contra-atacaram... com ameaças, intimidações e processos. Para se ter uma noção, eu fazia administração de empresas na URCAMP e quando ia pra aula, descia do carro com material do curso numa mão e uma pistola na outra. Meu filho era pequeno, com dois ou três anos, eu treinei ele, de “brincar”, quando eu gritava “deita” ele “brincava“ de deitar no assoalho do carro. Não me mataram na época devido eu ter formação, ser policial que trabalhava na linha de frente e tinha uma ajuda do então delegado da PF em São Borja, Dr. Bento Cleber . Perseguiam meus amigos , companheiros e familiares......... até cocaína ‘enxertaram” na câmara para tentar me destruir politicamente.... como não conseguiram me assustar, começaram a me processar. Cada entrevista, cada pronunciamento que fazia contra a quadrilha, era uma representação ao MP, o Promotor aceitava e transformava numa denuncia e esta em processo.... me “bordaram” com mais de 20 processos.... num deles, por ter dito e dado “nome aos bois” me processaram por ter “ofendido os homens de bem” de São Borja. E, junto com o Ministério Público me condenaram a um ano e quatro meses de cadeia. Na condenação pediram a minha perda do mandato de vereador. Perdi o mandato... ... recorri ao TJ em Porto Alegre, mantiveram minha condenação. Recorri ao STJ em Brasília, lá mantiveram minha condenação....aí um dos mais renomados juristas do Brasil viu minha tese a qual defendia, dizendo que tinha sido eleito para fazer dentre outras coisas, o combate a corrupção. O Advogado Alberto Toron me ligou e propôs: te defendo no STF e vc me dá sua tese para escrever um livro sobre o tema. Como estava destroçado, de imediato aceitei. Ele recorreu ao STF e lá fui absolvido POR 10X0 (unanimidade). Os Ministros do STF concordaram que eu não ofendia “os homens de bem” quando exercia o mandato de vereador dentro do município combatendo a corrupção. Eu não tinha cometido crime algum, só estava cumprindo o que havia me comprometido como proposta de trabalho se eleito vereador: combater a corrupção em São Borja!
Fiz uma síntese do inferno que vivi por mais de 3 anos. Era capa de Jornal, e Chamada âncora no noticiário de rádios. Quando absolvido, saiu nota de rodapé...
Após, o Dr. Toron escreveu o livro “Inviolabilidade Penal dos Vereadores”.
Essa é uma síntese de tantos embates que tive na vida pública, sempre por escolher o caminho mais correto (que nem sempre é o mais fácil).
Por isso, sei o que esta acontecendo com Lula, sei o que é ser declarado "INIMIGO DO ESTADO" e não desejo isso pra ninguém...

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

E-Book: Reminiscência da Câmara Temática de Ciência Inovação e Desenvolvimento Tecnológico do RS

Entre 2011 e 2012, coordenei a Câmara Temática de Ciências, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico (CT-CI&DT) do Conselho do Governador Tarso Genro. Tinha como função estudar as pautas encaminhadas pelo governador ou pelo Pleno da Câmara, preparava propostas, projetos, relatório, sínteses, avaliava estágios de políticas propostas, andamento de projetos em execução bem como a interação do setor com órgãos públicos e privados, alimentando sempre os conselheiros e conselheiras para que estes pudessem tomar decisões fundamentadas. 
Na Câmara houve um trabalho magnífico com a participação de conselheir@s de todas as áreas do conhecimento. Nesta instância, formulavam-se propostas técnicas, políticas e estratégicas para o setor no estado. Tínhamos o consenso que o conhecimento não deveria ficar restrito a pessoas ou entidades. 
Após o fim do governo, vi que toda a memória, conhecimento e produtos produzidos na CT-CI&DT perderam-se por questões políticas ou por conta de que cada governo tem sua estratégia para o setor. 
Assim, para não perder de vez a riqueza ali produzida, resolvi confeccionar este material e publicar. Sei que será de extrema valia para a compreensão macro deste setor no estado. Sei também, que muito foi produzido, muitas propostas de políticas vingaram, mas também sei que muita coisa foi perdida. Nosso objetivo é resgatar o máximo de dados, para que sirvam hoje e no futuro, para governos, academia e empresas privadas. 
Bom proveito!

Renê Ribeiro 
Coordenador da Câmara Temática de Ciências, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico do RS, Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social – CDES-RS 2011 - 2012

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Eleitor elege raposa pra cuidar do galinheiro

Tempos estranhos... 


A maioria dos deputados e senadores brasileiros caçaram o mandato da Dilma, sem que ela tivesse cometido crime algum. Este mesmos representantes do povo, atuam para proteger Temer e Aécio, criminosos notórios, de provas cristalinas. Mas esperar o quê de um parlamento majoritariamente composto de bandidos. 
Seria cômico se não fosse triste, mas a culpa não é deles, é dos eleitores que os elegeram. 
Se você elege a raposa para cuidar o galinheiro, com certeza ela comerá as galinhas. É de sua natureza. Você não pode reclamar, era previsto...

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Suicido do reitor pelo estado policialesco-midiática

O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina se suicidou ontem. 
Se jogou do alto de prédio. Esse é reflexo d época que vivemos. O estado policialesco-midiático prende condena e executa sem que haja o devido processo legal. Independente de ser culpado ou não, ninguém deveria ser exposto da forma que vem acontecendo. Todos são inocentes até a condenação final, sem que haja mais recurso. O Professor-reitor foi “esculachado” em uma operação precipitada da Policia Federal, a pedido de um MPF “sequelado” e um judiciário omisso e covarde. Este é um dos tantos que foram condenados a morte e executado pelo sistema. Até quando?

para pensarmos ...

ÚLTIMA CARTA DO REITOR da UFSC que cometeu o ato extremo.

"Não adotamos qualquer atitude para obstruir apuração da denúncia
A humilhação e o vexame a que fomos submetidos — eu e outros colegas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) — há uma semana não tem precedentes na história da instituição. No mesmo período em que fomos presos, levados ao complexo penitenciário, despidos de nossas vestes e encarcerados, paradoxalmente a universidade que comando desde maio de 2016 foi reconhecida como a sexta melhor instituição federal de ensino superior brasileira; avaliada com vários cursos de excelência em pós-graduação pela Capes e homenageada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Nos últimos dias tivemos nossas vidas devassadas e nossa honra associada a uma “quadrilha”, acusada de desviar R$ 80 milhões. E impedidos, mesmo após libertados, de entrar na universidade.
Quando assumimos, em maio de 2016, para mandato de quatro anos, uma de nossas mensagens mais marcantes sempre foi a da harmonia, do diálogo, do reconhecimento das diferenças. Dizíamos a quem quisesse ouvir que, “na UFSC, tem diversidade!”. A primeira reação, portanto, ao ser conduzido de minha casa para a Polícia Federal, acusado de obstrução de uma investigação, foi de surpresa.
Ao longo de minha trajetória como estudante de Direito (graduação, mestrado e doutorado), depois docente, chefe do departamento, diretor do Centro de Ciências Jurídicas e, afortunadamente, reitor, sempre exerci minhas atividades tendo como princípio a mediação e a resolução de conflitos com respeito ao outro, levando a empatia ao limite extremo da compreensão e da tolerância. Portanto, ser conduzido nas condições em que ocorreu a prisão deixou-me ainda perplexo e amedrontado.
Para além das incontáveis manifestações de apoio, de amigos e de desconhecidos, e da união indissolúvel de uma equipe absolutamente solidária, conforta-me saber que a fragilidade das acusações que sobre mim pesam não subsiste à mínima capacidade de enxergar o que está por trás do equivocado processo que nos levou ao cárcere. Uma investigação interna que não nos ouviu; um processo baseado em depoimentos que não permitiram o contraditório e a ampla defesa; informações seletivas repassadas à PF; sonegação de informações fundamentais ao pleno entendimento do que se passava; e a atribuição, a uma gestão que recém completou um ano, de denúncias relativas a período anterior.
Não adotamos qualquer atitude para abafar ou obstruir a apuração da denúncia. Agimos, isso sim, como gestores responsáveis, sempre acompanhados pela Procuradoria da UFSC. Mantivemos, com frequência, contatos com representantes da Controladoria-Geral da União e do Tribunal de Contas da União. Estávamos no caminho certo, com orientação jurídica e administrativa. O reitor não toma nenhuma decisão de maneira isolada. Tudo é colegiado, ou seja, tem a participação de outros organismos. E reitero: a universidade sempre teve e vai continuar tendo todo interesse em esclarecer a questão.
De todo este episódio que ganhou repercussão nacional, a principal lição é que devemos ter mais orgulho ainda da UFSC. Ela é responsável por quase 100% do aprimoramento da indústria, dos serviços e do desenvolvimento do estado, em todas as regiões. Faz pesquisa de ponta, ensino de qualidade e extensão comprometida com a sociedade. É, tenho certeza, muito mais forte do qualquer outro acontecimento".

domingo, 24 de setembro de 2017

Nossas postagens compartilhadas por milhares

Nas postagens abaixo, tivemos a honra de milhares de compartilhamento. Isso fez com que nossa opinião fosse conhecida por milhões e assim, contribuindo para o debate e formação da cidadania...